Crime hediondo


| Tempo de leitura: 2 min
Historiadores dizem que a corrupção que grassa no Brasil é fenômeno preexistente. Existia no Brasil Colonial. A família real portuguesa, para sobreviver e manter a corte no Rio, trocava títulos de nobreza e benesses com escravistas e endinheirados, sem qualquer licitude ou ética. Por muito tempo serviços públicos foram reservados a afiliados de gente importante. Houve até presidente que alterou leis para favorecer aliado eventual e que, questionado, disse o conhecido ‘ora a lei!’.
 
Ao longo dos tempos, no lugar da atividade agrícola e atrasada brasileira surgiu economia diversificada e tecnológica. A educação do povo, a duras penas, caminhou. Concursos públicos abriram oportunidades a todos. Concorrência ou licitação pública selecionaram os melhores fornecedores de bens e serviços e, pela disputa, obtiveram preços menores pelo bom uso do dinheiro público. Tudo era bom, mas exigia compromisso de governo e permanente fiscalização. Respaldado ou não no conceito do ‘fenômeno preexistente”, escoou tudo pelo ralo. 
 
Não são poucas as fraudes em concursos públicos, vestibulares e até em avaliação escolar. São incontáveis as mazelas em licitações e serviços públicos. Cartéis, movidos pela propina dada a quem tem o dever de fiscalizar e regular contratação, pode vir a constituir o maior escândalo até hoje descoberto na economia nacional. O mal é tão devastador que chega a instabilizar governos e fazer tremer o Legislativo, por vezes, até o Judiciário. A promiscuidade é tanta que, muitas horas, leva à crença de que, sem esquemas favorecimento e propina, ninguém consegue trabalhar nesta terra.
 
É preciso varrer a corrupção brasileira. Há que se exigir que cada um viva da renda do seu trabalho ou patrimônio, que autoridades e servidores cumpram suas obrigações, que o empresariado seja submisso às leis, e que todos recolham tributos devidos. Corrupção é crime hediondo porque desvia a finalidade do dinheiro público, mata o povo por falta de saúde, educação, moradia, trabalho, segurança pública!
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários