Não são apenas os nossos governantes que pensam apenas no dia de hoje: vê-se muitos empresários imprevidentes que não imaginam que o dia de amanhã pode ser pior. Até os assalariados têm este tipo de pensamento, ignorando a importância de se planejar e poupar na bonança para se manter nos momentos turbulentos. Somos todos displicentes com o nosso próprio destino. A cultura do brasileiro não prioriza a poupança, a economia ou o planejamento, mesmo que seja familiar. E esta imprevidência se estende a todos os setores da vida brasileira. Esta visão precisa mudar, principalmente quando vemos nossas autoridades, eleitas ou não, não enxergarem mais à frente e nem se preocuparem com o futuro.
O Brasil — que somos todos nós — paga muito caro pelo imediatismo que toma conta das decisões oficiais. Hoje vivemos uma realidade bastante diversa de uma década atrás, que poderia ter sido evitada, com inflação crescente, rombo nas contas públicas, juros altos, arrocho, paralisia econômica e as ameaças de racionamento no fornecimento de água e energia elétrica, por causa da crise hídrica. Esta poderia ser evitada caso o País tivesse se preocupado com a possibilidade ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando do apagão que deixou grande parte do Brasil às escuras. Desde aquela época nada foi feito para se buscar alternativas e agora as autoridades da área “batem cabeça” para tentar resolver tudo isso de uma tacada só.
O Brasil não tem planos específicos para cada uma destas áreas. A nossa economia continua estagnada e não há qualquer indicativo de que apenas o ajuste fiscal vá ser suficiente para reimpulsionar a produção industrial e recuperar a atividade econômica. Caso não seja administrado com prudência e responsabilidade, o arrocho pode ser ainda maior e a solução ainda mais difícil. Ainda no segundo governo de Luís Inácio Lula da Silva, em 2010, pregava-se a pujança com o crescimento do PIB em 7,5%, dois anos depois da crise econômica mundial que foi enfrentada com desonerações de impostos e incentivo ao consumo. Era apenas uma bala que logo se mostrou de pequeno calibre contra uma série de ameaças que enfrentamos até hoje.
A falta de planejamento fica evidente quando sabemos que a inexistência de políticas voltadas à produção, ao emprego e à exportação vem sendo apontada por décadas a fio sem que nada seja feito, além de medidas pontuais -- e quase sempre emergenciais --, que podem surtir efeito por algum tempo mas perdem a sua eficácia rapidamente. O planejamento é estratégico para que não apenas a economia, mas o País volte a crescer em todos os sentidos, assumindo um protagonismo global que perdemos ao longo dos anos. Com extensão continental, mas conformando-se com a posição de país subdesenvolvido, o Brasil precisa passar a pensar em termos de futuro para que, no presente, possamos respirar aliviados sabendo que não iremos mais nos surpreender com movimentos pontuais do clima, da economia e da política mundial.
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