A queda de braço persiste. A Prefeitura se recusa a conversar. Os servidores não aceitam os valores impostos pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e prometem continuar de braços cruzados. Um semana depois da greve ser deflagrada, não houve avanço nas negociações. Novos protestos estão marcados para esta segunda-feira, 6.
A adesão à greve foi maior do que o esperado pelo governo e afetou áreas diversas da administração ao longo da semana. Os setores mais atingidos foram os da Saúde e Educação.
UBSs ficaram com as portas fechadas ou funcionaram parcialmente. Agendamento de novas consultas deixaram de ser feitos. Pacientes ficaram revoltados pela demora de atendimento e provocaram tumultos no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Alunos voltaram para casa por falta de professores nas escolas. “O movimento foi ganhando força e teve grande adesão. Acreditamos que na próxima semana a participação dos trabalhadores será ainda maior. É importante esclarecer que não queríamos fazer greve. A culpa é toda do prefeito, que se recusa a conversar”, disse Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores.
Na terça-feira, um grupo de pelo menos 500 grevistas fez panelaço na Câmara e cobrou uma posição dos vereadores. Pressionados, os políticos aprovaram um requerimento criando uma comissão para intermediar uma negociação entre servidores e Prefeitura. Nada aconteceu de prático. “Fomos enganados mais uma vez. Os vereadores prometeram que seria feita uma reunião com o prefeito, mas não fomos chamados. Ficou só na conversa”, afirmou Nascimento.
Enquanto os servidores afirmam que vão continuar em greve e prometem manifestar diante da Prefeitura nesta segunda-feira, Alexandre Ferreira confirma, para este dia 6, o pagamento dos salários relativos a folha de março já com o reajuste de 7,68% conforme aprovado pela Câmara. No dia 9, o cartão alimentação será creditado com o valor atualizado de R$ 260. Os trabalhadores reivindicam vale de R$ 400.
Os novos valores constam do projeto apresentado em regime de urgência pelo prefeito e aprovados pelos vereadores, na sessão do dia 24 de março, sem que as negociações com os servidores tivessem sido encerradas.
Os vereadores Márcio do Flórida (PT), Valéria Marson (PSDB) e Daniel Radaeli (PMDB), além do sindicato do servidores, ingressaram com mandado de segurança para tentar derrubar a lei. Eles alegam que a mudança na forma de votação, de dois para apenas um turno com o processo legislativo já iniciado, cerceou o direito que tinham de apresentar emendas. O mérito ainda não foi analisado, mas a Justiça negou a liminar. “Ingressamos com recurso no Tribunal de Justiça. Espero que a gente tenha uma decisão favorável nesta segunda- feira”, disse Denílson Carvalho, advogado do sindicato.
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