Miniusina na região produz energia suficiente para servir 80 mil/mês


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Energia gerada na Pequena Central Hidrelétrica na região de Franca é conduzida para redes de distribuição em Franca e Barretos
Energia gerada na Pequena Central Hidrelétrica na região de Franca é conduzida para redes de distribuição em Franca e Barretos
O rio Sapucaí Mirim na região de Franca, mais precisamente em Guará, tem sido utilizado desde 2013 para uma nova finalidade. Além de servir à pesca e ao abastecimento de água, o afluente contribui para a geração de energia elétrica. A produção acontece por meio de uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica) instalada em um reservatório de água, às margens de extensos canaviais, na zona rural do município. Batizada de PCH Retiro e administrada sob concessão pela empresa Duke Energy, a usina tem capacidade de gerar 18 mil quilowatts de energia por dia. A quantidade é suficiente para atender uma cidade de 80 mil habitantes por mês quando somada a carga gerada por sua usina irmã, a PCH Palmeira que também fica instalada no rio Sapucaí Mirim e tem gestão da Duke, porém está situada em São Joaquim da Barra.
 
Segundo o responsável pela manutenção elétrica, Fábio Guereta, a unidade foi construída a partir de uma barragem para represar a água e consequentemente formar um desnível, opera 24 horas e tem apenas sete funcionários. Ela ocupa uma área total de 800 hectares, incluindo a parte operacional e regiões de vegetação, reflorestamento e o reservatório de água.
 
Controlada por uma central interna, a usina é monitorada por 22 câmeras, sendo que parte delas também pode ser acompanhada pelo controle de operações de uma outra usina localizada a mais de 400 quilômetros de distância.
 
“A PCH foi construída nessa região após muitos estudos que avaliaram do índice de chuva ao volume do rio. A partir desse levantamento, viram que o Sapucaí era propício para produzir energia”, disse Guereta. No total, em uma extensão de aproximadamente 50 quilômetros do rio Sapucaí (entre São José da Bela Vista e Guará), estão instaladas cinco PCH’s, incluindo as duas geridas pela Duke Energy.
 
Guereta disse que suas construções foram destinadas para rios menores devido ao fim dos espaços para exploração nos grandes rios e idealizadas no intuito de suprir a demanda de consumo.
 
Apesar de ser produzida na região e distribuída para redes de Franca e Barretos, o técnico da usina não garante que essa energia é utilizada por consumidores das cidades vizinhas. “As subestações recebem essa energia dos geradores, porém ela pode ser adquirida pela companhia elétrica da região ou de qualquer outra localidade”.
 
Como funciona
Quem vê de fora o enorme reservatório de água juntamente com o prédio da usina - que lembra um barracão agrícola - e as três comportas não imagina a parafernália de painéis de comando utilizados na geração de energia.
 
O passo a passo começa com a captação da água através de grandes aberturas chamadas tomadas d’água. Em seguida, essa água desce por grandes dutos em alta pressão e se torna energia cinética, com capacidade para movimentar as pás de uma turbina hidráulica.
 
Na etapa seguinte, o movimento das pás, gerado com a força da água, faz circular um eixo que transforma a energia cinética em mecânica. Consequentemente, essa energia mecânica aciona o gerador elétrico e produz a energia elétrica. “Quando o gerador é acionado, ele recebe uma pequena quantidade de energia de uma reserva de fora que se transforma em 250 vezes mais energia”, disse Guereta, que tem o controle de todos os processos por meio de computadores.
 
A etapa final consiste em conduzir essa energia gerada por cabos ou barras até um transformador na subestação da usina, onde sua voltagem sofrerá uma elevação para ser transportada por grandes distâncias através das linhas de transmissão ao local em que ela será consumida (veja quadro ilustrativo nesta página).
 
Recursos
Em relação a água utilizada no processo de geração de energia, o técnico afirma que 100% do volume é devolvido ao rio com a mesma qualidade de antes, podendo inclusive ser novamente aproveitada em uma nova unidade.
 
Quanto às turbinas existentes ao lado da hidrelétrica, Guereta disse que servem apenas para controlar o nível de água do reservatório, funcionando como uma válvula de escape para escoar o excesso. Ele lembrou que a água escoada por elas não é utilizada na produção de energia elétrica. “Ao contrário do que muitos pensam, quando as comportas estão abertas não significa que estamos produzindo muita energia. Na verdade, elas servem para escoar a água em excesso. As comportas são abertas sempre que há muita chuva para evitar transbordamento, pois elas ajudam a manter o nível adequado do reservatório”.

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