Segundo o escritor israelense Amós Oz, autor de Judas, recentemente lançado — conforme aponta o caderno ‘Ilustrada’, da Folha de S. Paulo de 25/12/14, Judas Iscariotes não foi traidor de Jesus ensina a tradição religiosa. Ao contrário. Judas identificou no Cristo, o Messias Prometido e, levado pelo desejo de ver Israel livre do jugo romano, tentou estratégia política e militar, na esperança de que, no momento culminante, Jesus manifestasse toda a sua glória e promovesse a liberação dos israelitas.
Analisando narrativas de evangelistas, comparando textos e informações, Amós — que vem sendo cotado ao Prêmio Nobel de Literatura — conclui que Judas foi, em realidade, grande amigo do Cristo. ‘Por que um homem rico venderia seu mestre por 30 pratas? Se vendeu, por que se enforcaria? Por que alguém pagaria Judas para identificar Jesus, se Ele não se escondia?’
A tese vem ao encontro do que, sobre Judas, entende a doutrina Espírita. Considerá-lo traidor constitui equívoco, posto que o próprio Mestre, consciente de sua missão antevista e anunciada por profetas da antiguidade, dissera, em reunião com o colégio apostólico: ‘Um de vós me entregará ao Sinédrio.’
Adeptos do Espiritismo, reprovamos a ‘malhação de Judas’, com a qual se pretende vingar a morte de Jesus. Como aceitar o ‘linchamento’, de bonecos que o representam se o ensinamento maior do Cristo é a exortação ao perdão?
Iscariotes se deixou levar pela ânsia política, na pretensão de mudar o rumo dos acontecimentos. Arrependeu-se e puniu-se com o suicídio. Assim pensando, o saudoso José Russo, seareiro da caridade espírita, fundou em Franca, em 1956 , o Centro Espírita Judas Iscariotes, hoje Fundação Espírita de relevantes serviços à comunidade através do Teatro Judas Iscariotes, Lar de Ofélia e Centro de Estudos Agenor Santiago. Que nos exortemos a perdoar, como o fez Jesus em relação ao engano de Judas.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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