1,5 mil servidores municipais vão às ruas em protesto


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Os grevistas caminharam da Prefeitura, pela avenida Presidente Vargas, cruzaram o Centro até chegarem à Secretária de Educação, no Colégio Champagnat
Os grevistas caminharam da Prefeitura, pela avenida Presidente Vargas, cruzaram o Centro até chegarem à Secretária de Educação, no Colégio Champagnat
Em greve desde segunda-feira, dia 30 de março, os servidores públicos mostraram sua força ontem. Um terço da categoria saiu às ruas para mais um dia de protesto. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 1.500 pessoas participavam da mobilização. Nos dias anteriores, a participação girava em torno de 200 servidores.
 
Segundo o presidente do sindicato da categoria, Fernando Nascimento, uma dificuldade da greve é o medo dos servidores de serem identificados na manifestação e depois perseguidos. 
 
“A Prefeitura tem colocado a comunidade contra os servidores. A passeata serve para mostrar para a população que nosso movimento é sério e luta por questões salariais e respeito”, afirmou o presidente. De acordo com Nascimento, a Prefeitura ainda não agendou uma reunião com a categoria.
 
Nessa sexta-feira, os servidores se concentraram em frente ao Paço Municipal, por volta das 9 horas. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) apareceu rapidamente em uma das janelas da Prefeitura, causando agitação nos servidores, que o vaiaram.
 
Os grevistas caminharam em direção ao Centro até chegarem à Secretária de Educação, no Colégio Champagnat. Na entrada do prédio, os servidores declamaram frases de educadores e filósofos, como Paulo Freire e Mário Sérgio Cortella.
 
Quando passavam em frente a escolas, os servidores entoavam o grito “Vem para rua”, misturado ao som de apitos e tambores. Havia grande participação de profissionais do setor da Educação na passeata. De acordo com o Sindicato, cerca de 80% das escolas pararam, ainda que parcialmente.
 
“Não há valorização do funcionário público, somos sobrecarregados e nosso trabalho não é reconhecido”, disse o inspetor de aluno Rafael Rodrigues de Faria, 26.
 
Na Saúde, três UBSs (Unidades Básicas de Saúde) estão paradas e outras 11 funcionam parcialmente, com 30% dos funcionários. Os números se referem a um balanço parcial feito pelo Sindicato.
 
“Estamos trabalhando com o mínimo para continuar atender a população do melhor modo possível. Na região, o cartão alimentação gira em torno de R$ 500, o nosso está insuficiente”, disse o socorrista do Samu Cairo Brandão, 35.
 
Moradores e comerciantes saíram às portas para observar o movimento. Muitos apoiavam a causa e vibravam com os servidores. “Está bem animado o movimento e não tem atrapalhado o comércio”, disse a proprietária de uma loja de roupas no Centro, Juliana Andrade, 33.
 
Durante o percurso, acompanhado pela Polícia Militar, não houve ocorrência grave. Mas, em alguns trechos, motociclistas passaram entre a passeata e foram vaiados pelos servidores. 
 
Reivindicações
Um dos principais pedidos dos servidores é em relação ao valor do cartão alimentação. A solicitação é de R$ 400 para este benefício. No dia 27 de março, o prefeito publicou uma lei concedendo a correção da inflação de 7,68% nos salários e fixando o vale alimentação em R$ 260. Os novos valores serão pagos no dia 6 de abril, de acordo com um comunicado da Prefeitura.
 
A reportagem do Comércio entrou em contato com a assessoria de imprensa da gestão municipal e com o secretário de Recursos Humanos, Humberto Mazza. Foi questionada a possibilidade de negociação com os servidores, porém, não houve retorno até o fechamento desta edição.

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