Com a derrota sofrida para o Tupã, por 3 a 0, no último domingo, a Francana teve seu rebaixamento decretado com quatro rodadas de antecedência no Paulista da Série A-3. O vexame é ainda maior se levar em consideração a atual campanha do time. Na lanterna, a Veterana não conseguiu vencer nenhum adversário. Em 15 jogos disputados, o clube acumula 13 derrotas e apenas dois empates. A campanha tem tudo para ser uma das piores de todos os tempos da terceira divisão.
O resultado desastroso em campo é reflexo da desorganização e falta de profissionalismo dos dirigentes do clube. O rebaixamento da Francana aconteceu antes mesmo do torneio começar. O Comércio da Franca listou os sete pecados capitais cometidos pelos cartolas da Francana e que culminaram em outro rebaixamento.
1- Chapa às escuras
Sem candidatos interessado em assumir a presidência da Francana, o radialista Marcos Mariano Silva colocou seu nome à disposição. Marcos Silva contava com apoio de vários empresários favoráveis a sua candidatura. De última hora, uma outra chapa surgiu interessada em concorrer ao pleito. A chapa era liderada pelo profissional de merchandising, Junior Rodrigo de Abreu Pereira. Como Marcos Silva não fazia parte do quadro associativo da instituição, o radialista teve sua chapa impugnada. Com isso, Junior Rodrigo foi aclamado novo presidente.
2 - Calote em time
Diferentemente dos anos anteriores, a Francana iniciou sua preparação para Série A-3 com certa antecedência em relação aos demais times. Júlio Sérgio, ex-goleiro do Santos e Roma da Itália, foi confirmado como treinador. O elenco foi formado a “dedo” com alguns destaques para o goleiro João Guilherme; os laterais Lucas e Canhoto; os meio-campistas Levi, Jô, Álvaro e Patrick; e os atacantes Conrado, Vitor Flora e Carlos Júnior. Se em campo, o time era considerado forte e com chances de brigar pelas primeiras posições, fora dele, a situação era desesperadora. Sem dinheiro para pagar os vencimentos dos atletas, a diretoria decidiu liberar todo mundo.
3 - Quase renúncia
Com o episódio da liberação dos atletas, Junior Rodrigo decidiu renunciar ao cargo de presidente. Sem ter patrocinador ou ver dinheiro em caixa, o profissional de merchandising comunicou sua saída no site oficial do time. A carta de renúncia estava para ser formulada e entregue para o conselho deliberativo, quando o presidente decidiu voltar atrás de sua decisão. Uma empresa de marketing esportivo de Campinas demonstrou interesse em realizar uma parceria compartilhada com o clube francano.
4 - Refém da parceria
Com o acordo firmado com a ‘FootStar’, o grupo investidor tratou de colocar seus jogadores no clube. Vários atletas vieram da segunda divisão do futebol carioca. Nomes desconhecidos dos torcedores esmeraldinos e da imprensa local. Valores gastos pela parceira não foram revelados, mas além do pagamento da folha salarial, a FootStar colaborava com o custeio da alimentação dos atletas esmeraldinos. Dentro de campo, os resultados não foram alcançados e , na metade do campeonato, a parceria foi rompida.
5 - Proprietário e técnico
Sócio-proprietário da FootStar, Décio Adnam Soares foi lançado na função de treinador. Após ser anunciado como técnico surgiram acusações contra ele na internet sobre uso de registro profissional diferente, desmentido por Décio Adnam. Em campo, um desastre. Em oito jogos à frente do clube, Décio acumulou dois empates e seis derrotas. A goleada sofrida diante do Grêmio Osasco, por 3 a 0, no Lanchão, concretizou sua queda.
6 - Debandada
Então auxiliar-técnico, Edson Niquinha aceitou o convite para assumir o comando do time, mesmo em situação delicada na tabela. Além de pegar o clube na última posição, Niquinha teve que trabalhar com um plantel reduzido. Dos 28 jogadores inscritos, 12 deixaram o time. O motivo para a debandada está restritamente relacionado a falta de pagamento salarial. Niquinha chegou a levar apenas um jogador ao banco de reservas em jogo da A-3. Os péssimos resultados continuaram. Em sete rodadas sob seu comando, a equipe acumulou sete derrotas.
7 - Vaquinha no jantar
A situação financeira é tão delicada que o time tem realizado viagens no mesmo dia das partidas para evitar gastos com hospedagem. A crise financeira é tamanha que em um desses jogos como visitante, o jantar dos atletas foi paga através de “vaquinha” feita por pessoas de fora do clube. Com essa situação, a atual diretoria chegou a cogitar abandonar o campeonato antes do fim. Para evitar uma punição da FPF, alguns empresários decidiram colaborar financeiramente para manter o time em campo.
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