Suicídio


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O que pode levar uma pessoa a tirar a sua própria vida? Ao tomarmos conhecimento de suicídios envolvendo pessoas aparentemente saudáveis, somos sempre tentados a fazer essa pergunta. 
 
Situação ainda mais inexplicável é quando alguém, querendo colocar fim à sua vida, acaba levando consigo dezenas de outras pessoas, todos inocentes, que são envolvidas no ato insano e inconsequente daquele alguém. 
 
Foi o que ocorreu com as vítimas do co-piloto da Germanwings, Andreas Lubitz. Valendo-se da ausência do piloto na cabine de comando, arremessou a aeronave sobre os Alpes Franceses, matando 150 pessoas. 
 
Não se trata de fato isolado na história da aviação mundial. Muito pelo contrário. Há, pelo menos, seis outros registros semelhantes, um deles no Brasil. Tenho que a maior causa do suicídio é, sem dúvida, a depressão. Tal enfermidade retira do paciente o gosto pela vida e, consequentemente, a vontade de continuar vivendo. 
 
Ouvi, certa vez, de um amigo que esteve acometido de depressão que, no auge da crise que enfrentou, estava se convencendo que  tentar contra a vida torna-se mais fácil que beber um copo d’água. 
 
Nos casos registrados na aviação civil imagina-se que a depressão não seja causa única. Esses, que praticam atos tão abomináveis, não são apenas depressivos, mas sim psicopatas que querem colocar a responsabilidade de seus fracassos nos outros; ou querem notoriedade, ainda que isso lhes custe a vida e as de tantos inocentes.
 
Nesse contexto, não há dúvida de que esses responsáveis diretos pela vida de centenas de pessoas, ao ingressarem na carreira, deveriam ser melhor avaliados, não só no plano físico, mas também psicológico. 
 
Mais ainda: deveriam passar, com extrema regularidade, por novos exames, independente de suas vontades. Assim, há que se reconhecer negligência de companhias aéreas no preparo de seus funcionários. Mais este caso não deixa qualquer dúvida.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
 
 

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