O absolutismo, que os dicionários indicam como sendo um sistema de governo em que o Chefe de Estado possui poderes políticos irrestritos ou qualquer forma de dominação despótica ou tirânica, já dominou várias nações ao longo da história da humanidade. E, na maioria das vezes, acabou sepultado em razão de revoltas populares, pois os cidadãos passaram a não aceitar este tipo de governo. A democracia acabou prevalecendo, derrubando governos tanto em séculos passados como neste. Em 1789, o rei Luiz XVI governava assim e teve como destino a guilhotina. Mais recentemente, em 2011, o ditador Muamar Kadhafi, na Líbia, também enfrentou a revolta popular e acabou sendo morto pelos rebeldes líbios que retomaram o controle do país.
Nenhum governo que se considera acima do bem e do mal, tomando decisões à revelia dos interesses dos cidadãos, é capaz de resistir aos ventos democráticos que hoje tomam conta das mais diferentes regiões do mundo. O povo exige — e precisa — ser ouvido. As decisões não podem ser autocráticas. A própria definição de democracia evidencia isso: governo do povo, pelo povo e para o povo. Por isso, autoridades (da presidente da República aos vereadores) têm que ouvir os seus eleitores, tornar claras as suas decisões e explicar seus atos. É o que se espera de qualquer democrata, que realmente se interessa pelos destinos dos cidadãos que o elegeram e cujos impostos custeiam a máquina administrativa. Nenhum dos benefícios concedidos — sejam obras ou programas sociais — pode ser considerado um favor: é antes de tudo uma obrigação.
Por isso, não se pode entender a teimosia do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) em agir de forma diametralmente oposta. E esta atitude contamina toda a administração. Além de várias decisões tomadas a portas fechadas, em detrimento do bem estar dos francanos, o prefeito se especializou em tergiversar quando se envolvem assuntos de sua gestão, aos quais ele prefere virar as costas ou mirar com óculos cor de rosa que lhe dão uma visão irreal do que realmente acontece.
Desta vez, a Prefeitura de Franca disse que não vai se manifestar sobre os problemas verificados no Centro de Saúde de Franca, sob a responsabilidade da municipalidade. Os usuários enfrentam uma estrutura precária, por falta de manutenção, naquele que foi, até há poucos anos, referência de atendimento em nossa vasta região. Mas a falta de interesse da administração municipal em manter o prédio em condições mínimas de atendimento fica patente. É algo que se pode experar de quem só resolveu reformar o Pronto Socorro Infantil, infestado por pragas, apenas depois de insistentes denúncias do Comércio. A continuar assim, Alexandre Ferreira pode terminar o seu mandato encastelado no Paço Municipal, contando os dias para sair, pois terá uma resposta bastante desagradável nas urnas (que podem se transformar na sua guilhotina pessoal), no ano que vem -- caso ele ainda, de óculos cor de rosa, acredite que possa se reeleger. E esta é uma hipótese que Franca já mostrou ser completamente inviável e surreal.
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