A vingança do prefeito


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No reino de Alexandre, é proibido criticar o rei. Quem ousa desafiar ou descumprir as suas ordens, sofre as consequências. Não por acaso, a maior parte da Câmara é formada por vereadores cordeirinhos. Dizem amém a tudo o que o chefe manda. Se a desobediência ocorrer dentro do partido, o castigo é maior. Valéria Marson é uma ovelha, ou melhor, uma tucana rebelde. Vereadora mais votada nas eleições de 2012, ela bate de frente com o prefeito, que também é o presidente do PSDB em Franca até maio.  Há um ano, o diretório municipal do partido puniu Valéria com advertência por ela ter feito críticas ao prefeito e ao então presidente da Câmara, Jépy Pereira. A vereadora não se intimidou e continua se opondo aos projetos do Executivo que considera ruins. Votou contra a proposta apresentada em regime de urgência por Alexandre e que fixou o reajuste dos servidores sem que as negociações com a categoria tivessem sido encerradas. Por outro lado, votou pela abertura de uma comissão processante contra o prefeito, por causa do episódio das creches em que ele se tornou réu na Justiça. O pedido foi rejeitado pelos seus colegas vereadores. Alexandre está elaborando um plano para se vingar da colega de partido. A intenção do prefeito é fazer chegar ao diretório estadual do PSDB que Valéria Marson votou favorável a uma moção de protesto ao governador Geraldo Alckmin por ele se mostrar “intransigente” nas negociações com os professores da rede estadual. 
 
Enrolar para a poeira baixar: Amanhã faz um mês que Vergara (PSB) deu um tapa na cara de um eleitor durante sessão. Até agora, não sofreu nenhuma punição. O Conselho de Ética da Câmara, que havia prometido entregar o relatório final em 30 dias, segue ouvindo testemunhas que têm pouco ou nada para acrescentar, além do que as imagens mostraram. Dentro do PSB, a enrolação para tomar uma decisão é a mesma. Até a noite de ontem, o presidente do partido, César Vilela, não sabia o teor do relatório sobre as apurações internas. Não há previsão de quando a eventual punição será aplicada.
 
Melhor esquecer: Sabe quem é o relator da Comissão de Ética do PSB que apura a conduta de Vergara? Rodrigo de Paula Morais, o “Soró”. Ele é assessor parlamentar de Vergara na Câmara. 
 
Na moita: Jépy Pereira (PSDB) ficou “despachando” no primeiro andar da Câmara, terça-feira, e só entrou no plenário quando os servidores haviam terminado a chamada e vaiado os vereadores que classificaram como traidores.
 
Escondido: Edvaldo Costa, assessor-legislativo do prefeito, que normalmente orienta os vereadores aliados como votar, das cadeiras onde fica o público, manteve distância dos servidores na última sessão e ficou no corredor. Desta vez, passou as instruções atrás da porta que dá acesso ao plenário.
 
Namoro: Se vai dar casamento é outra história, mas Graciela Ambrósio (PP) iniciou um relacionamento sério com o PSD, partido de Gilberto Kassab.
 
Divórcio: Sidnei Rocha deve deixar o PSDB até setembro. Brigado com Alexandre Ferreira e Roberto Engler, ele precisa mudar de partido caso queira disputar as eleições de 2016. Ele ainda não decidiu para onde vai. No mês passado, Sidnei se reuniu com Márcio França, vice-governador e dono do PSB no Estado. 
 
Esqueceram de mim: Laercinho (PP) precisa agradecer a Vergara. O tapa na cara colocou o líder do prefeito em evidência e deixou o caso das vacas e eucaliptos em segundo plano.
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
 

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