Aquarelas


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Sara adorava qualquer tipo de arte, pintava e desenhava com desenvoltura e habilidade. Colecionava em uma maletinha diversas tintas e também lápis de cor, giz de cera, pincéis e outros materiais.
 
Certa vez, já bem tarde da noite ela decidiu que faria uma pintura diferente, olhou a tela branca durante horas e depois fechou sua maleta, foi dormir. A ansiedade e euforia da menina agitaram os objetos de sua coleção.
 
As tintas começaram a discutir o que era comum. Cada uma achava-se melhor que a outra.
 
_Fique quieta, rosa, você é corzinha de menina. – gritava o azul que era bem machista e chato.
 
_Fique calmo você, azul, deveria mesmo ser mais tranquilo – provocava o verde que nem tinha sido chamado na conversa
 
_Certamente serei usado – exclamava o branco, orgulhoso por estar em todas.
 
_Com certeza, branco. Eu também serei usado. – concordava o preto, nem um pouco modesto. 
 
_Vocês são dois chatos! – afirmava o lilás
 
_Eu sou o preferido – confirmava a cor prata, que de fato era.
 
_Todos vocês são deselegantes – revelava em tom de deboche o dourado que era muito pretensioso e fingia não importar-se.
 
Enquanto as tintas discutiam sobre a sua importância, os lápis, os pincéis e cada giz de cera tentavam em vão dormir.
 
Assim que amanheceu, Sara abriu a caixa. Estava com um sorriso enorme, colocou seu avental e separou um pouco de cada tinta em sua palheta, todas as cores estavam cansadas e pendiam para os tons pastéis.
 
A artista pintou quase a manhã inteira e usou quase todas as cores. Assim que terminou pegou um spray com solvente, era uma técnica nova que acabara de aprender. Borrifou sobre a tela.
 
As cores desbotaram e escorreram pelo quadro. Sara muito ágil contornava a tela e misturava as cores em um lindo balé que fazia com os pincéis.
 
O dourado foi o único que ficou inútil na caixa, o resto todo achou delicioso misturar-se assim, quase dava para escutar as risadinhas das cores, mas somos surdos para isso.
 
O quadro ficou maravilhoso, era uma pintura abstrata que expressava o amor.
 
Por: 
Milla Souza

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