Prefeitura ignora edital e cancela premiação do Águas de Março


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O comediante Guilherme Gonçalves Dias, durante sua apresentação na categoria cuja premiação foi cancelada: ‘É revoltante’
O comediante Guilherme Gonçalves Dias, durante sua apresentação na categoria cuja premiação foi cancelada: ‘É revoltante’
O tradicional Festival Águas de Março, realizado em Franca há 26 anos para estimular novos artistas da cidade e difundir a cultura, terminou no último domingo debaixo de protestos. Tudo porque a Divisão de Cultura decidiu cancelar sem aviso prévio a premiação de parte dos artistas que se apresentaram em um dos concursos realizados durante o festival. 
 
O edital do concurso Cara e Talento, do Águas de Março, previa que os participantes inscritos nesta categoria deveriam apresentar “esquetes circenses ou stand ups com humoristas devidamente caracterizados, mostrando a magia do artista do humor. Cada apresentação deveria ter a duração mínima de 5 minutos e a máxima de 15”. O edital não trouxe nenhuma exigência sobre a apresentação a ser feita. Também não estipula regras a serem obedecidas pelos participantes como originalidade nos textos e proibição de imitações. 
 
Em 2015, a categoria teve três inscritos - todos se apresentaram no sábado à noite no Teatro Municipal. A surpresa veio no encerramento do evento. Na cerimônia de premiação no domingo à noite, todos estavam novamente presentes com familiares e amigos à espera do anúncio dos vencedores. Mas, para o espanto de todos, a diretora de Cultura, Karina Gera, anunciou que os jurados da categoria Cara e Talento consideraram que os participantes não tinham qualidade técnica e decidiram não premiar ninguém. Assim, para esta categoria, não houve vencedores.
 
A revolta foi geral. Para Guilherme Gonçalves Dias, um dos inscritos, a cena foi humilhante. “Ouvir na frente de seus parentes e amigos que o que você fez não tem qualidade é horrível. Eu me esforcei. Ensaiei, cumpri o tempo previsto da apresentação, estava caracterizado e, agora, isso tudo é ignorado. É revoltante.”
 
Para o humorista, que tem um quadro no programa Na Balada, transmitido pela TV Franca e exibido no portal GCN, o maior problema foi a falta de aviso. “Em nenhum momento, a Prefeitura disse que não teríamos direito à premiação. Fomos ao teatro domingo, esperamos o anúncio e, então, em vez de um pedido de desculpas, ouvimos que não tivemos qualidade”, disse. Ele, assim como os demais participantes, procuraram a Prefeitura para reclamar. Ainda não obtiveram resposta.
 
Segundo a diretora de Cultura, Karina Gera, os jurados consideraram que as apresentações não atingiram o nível técnico necessário. “O júri técnico é quem está qualificado para definir os vencedores e eles decidiram assim. Disseram que os participantes não tinham personagens próprios, que fizeram esquetes repetidos, não tiveram originalidade”, disse ela, em entrevista ao programa Ronda 1030, da rádio Difusora.
 
Questionada sobre a não previsão de cancelamento de premiação do edital, a diretora disse que já encaminhou o caso para a Procuradoria do Município. “Na segunda-feira, levamos a reclamação para o Jurídico, que irá analisar o caso. O que o parecer deles definir será feito.” 
 
A diretora informou que não há prazo para que o parecer seja emitido. 

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