Servidores fazem panelaço na Câmara


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Parte dos grevistas também levou panelas para a sessão de ontem: além do panelaço, teve apitaço e muitas vaias
Parte dos grevistas também levou panelas para a sessão de ontem: além do panelaço, teve apitaço e muitas vaias
Os vereadores sentiram na pele, ontem, a ira dos servidores públicos do município. No segundo dia de greve, os trabalhadores que lutam por melhores salários ocuparam a Câmara, fizeram um panelaço no plenário e vaiaram os políticos. Os grevistas foram proibidos de entrarem na chamada “casa do povo” com seus instrumentos musicais. Mesmo assim, fizeram barulho. O protesto, talvez, o maior já verificado na história do Poder Legislativo local, incomodou e fez o presidente suspender a sessão por uma hora. Antes, a TV Câmara já havia cortado sua transmissão para não mostrar o manifesto. 
 
Os servidores se revoltaram com os vereadores por eles terem aprovado o projeto apresentado pelo prefeito, em regime de urgência, sem que as negociações com a categoria tivessem sido encerradas e que fixou 7,68% de correção inflacionária e vale alimentação de R$ 260. 
 
Os funcionários, que já haviam protestado contra os vereadores na assembléia realizada sábado, mostraram o tamanho da indignação com os políticos ontem. Eles caminharam da Prefeitura até a sede da Câmara. Chegaram por volta das dez horas. Estavam com panelas, apitos, cartazes, o boneco gigante “vergonha”, simbolizando Judas, pirulitos “tapa na cara” e narizes de palhaço. Um dos cartazes trazia a palavra “quanto”, em referência à indagação feita por Hélio Vissotto a Vergara e que rendeu ao cidadão um tapa na cara, desferido pelo vereador, em plena Câmara, no 3. Também cantavam músicas ironizando Alexandre Ferreira e seu líder, Vergara.
 
Em poucos segundos, tomaram conta do plenário, mas tiveram que deixar do lado de fora os instrumentos musicais.“Foi decisão minha. Consultei o regulamento da Câmara e vi que não podiam entrar com os objetos”, disse o segurança Maguila.
 
Os pandeiros e a bateria não fizeram falta. Os grevistas continuaram cantando, batendo panelas e vaiando os vereadores aliados ao prefeito. Antes sindicalista e líder de Alexandre, Vergara foi eleito o vilão dos servidores. “Fora, Vergara. Traidor. Você enterrou sua carreira política”, gritavam.
 
Às 10h55, o presidente Marco Garcia (PPS) decidiu suspender a sessão por uma hora. Vereadores de oposição disseram que não havia motivos para isso e que a suspensão teria sido um estratégia para dispersar os servidores: Estava previsto para ser votado um requerimento do jornalista Marcelo Bomba pedindo a abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito Alexandre Ferreira, por irregularidades na administração. “Foi uma manobra. Deveríamos votar, dar a cara à tapa e mostrar porque estamos na Câmara”, disse Daniel Radaeli (PMDB).
 
A sessão foi retomada às 11h55 e, como tem que ser encerrada às 12 horas, não houve tempo de votar o requerimento. Mas os servidores não foram embora. Muitos ficaram fazendo batucada e lanchando, sentados no chão, do lado de fora. 
 
O pedido de abertura de comissão processante foi votado no período da tarde e rejeitado com 11 votos contra e apenas três favoráveis, de Radaeli, Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PSDB). “Vergonha, vergonha, Vergonha”, gritavam os servidores.
 
Mesmo diante da pressão, os vereadores também rejeitaram projeto apresentado por Márcio do Flórida que obrigava a Prefeitura a divulgar os gastos com propaganda. Mais gritos de vergonha. “Nós, francanos, estamos saindo daqui envergonhados de ter esses representantes. A Câmara não é uma casa de vereadores. É a casa de Alexandre Ferreira. Ele faz o que quer aqui”, disse Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores.
 
De prático, foi aprovado requerimento criando uma comissão de vereadores para conversar com o prefeito e tentar reabrir as negociações com os servidores. Alexandre não recebeu o grupo para negociar. “Liguei várias vezes na Prefeitura e o prefeito se recusou a nos receber”, concluiu Nascimento. Diante da recusa do governo em conversar, a greve continuará nesta quarta-feira e os servidores devem se concentrar diante do pronto-socorro.
 

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