Tempo de reconstruir


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Finalmente o IBGE divulgou os números das contas nacionais relativos a 2014. Apesar da mudança de metodologia, o resultado final não foi bom: teríamos crescido 0,1%, ou seja, próximo de zero. A economia brasileira sofreu séria estagnação naquele ano e continua padecendo do mesmo mal nos primeiros meses de 2015. Com isso, o FMI afiança que o país deverá perder o 7º. lugar para a Índia no ranking mundial. 
 
Os investimentos que deveriam impulsionar a economia não se concretizaram, a opção pelo consumo não surtiu efeito e a indústria de transformação perdeu e continua perdendo espaço. Ainda que teoricamente tenham ficado dentro dos limites do teto da meta (6,41%), os preços dispararam. Aliás, continuam aumentando tanto os preços administrados, como nos de mercado, e nos impostos. 
 
O que o futuro nos reserva? Entre nós, neste inicio de novo governo os problemas se agravam tanto na política, como na economia. Percebe-se, claramente, inaptidão do Executivo em articular-se com o Legislativo. Aprovação de dispositivos necessários à concretização do ajuste econômico não sai. Vivendo crise econômica sem precedentes, com carestia, déficit público, ínfima confiança de empresários e consumidores, mais as angustias advindas da corrupção. 
 
Ainda assim temos que pensar na reconstrução nacional que só se concretizará e se tornará real com severo reajuste econômico, diretrizes políticas transparentes e consequentes, foco em visão clara do amanhã. Somente isso será capaz de nos assegurar porto seguro, onde existam crescimento econômico e justiça social. Essa reconstrução da pátria, mais do que oportuna, é necessária. Aí me lembrei de Noel Rosa, que perguntou “Com que roupa eu vou ao samba que você me convidou?” A ruptura governo-cidadãos está nas ruas e a população está ansiosa para ir a uma festa da melhoria.
 
Vicente P. Oliveira
Economista FEA/USP

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