Sem comemorações


| Tempo de leitura: 2 min
Em outras épocas o Brasil teria comemorado, ontem, 31 de março, o aniversário da Revolução de 1964, antes redentora, hoje denominada golpe. A data foi banida do calendário nacional de eventos. O país passou por ela, este ano, mergulhado em dúvidas. O dragão da inflação bate à porta da economia combalida. O governo edita medidas impopulares na tentativa de ajuste, mas é visto como gastador ao manter 39 ministérios, a maioria criados para acomodar vorazes aliados. Os trabalhadores e até o PT, ao qual é filiada a presidente, protestam contra o arrocho e pedem o cumprimento de promessas de campanha. O povo fez grande manifestação pró-impeachment em 15 de março e há outra chamada para 12 de abril. Setores mais radicais pedem a volta de militares ao poder. Com as diferenças de época e contexto, vivemos clima bem parecido com o 31 de março de 1964.
 
O ex-presidente Lula reúne dirigentes estaduais de seu partido e promove ato pela democracia. O ministro da Fazenda, titular do arrocho que impopulariza o governo, tenta convencer o Senado a manter altos os juros das dívidas municipais. Prefeitos protestam e prevêem caos. Ainda pendem, no Congresso, Medidas Provisórias que dificultam o seguro-desemprego e reduzem pensão de viúvas de trabalhadores. O país assiste o desenrolar da Lava-Jato, que apura o maior escândalo de corrupção do mundo, ao mesmo tempo em que se sinaliza problemas monumentais no BNDES e na Receita Federal. Mais de 8 mil brasileiros são flagrados com dinheiro — supostamente ilegal — na Suíça.
 
Queiramos ou não, vivemos apreensão. O contexto internacional é diferente do vivido em 1964. Não há a guerra fria entre direita e esquerda, mas não podemos esquecer do caricato bolivarianismo vigente na Venezuela, Bolívia e Equador, com adeptos (e colaboradores) incrustados no governo brasileiro. O 31 de março deste 2015 não teve motivos para comemoração, mas deve servir de reflexão para que não repitamos erros do passado...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários