Foi-se o tempo do ensino como sinônimo de transmissão de conhecimento, apenas. Com base nessa crença, se o aprendizado não acontece, a culpa é do aluno, não do processo pedagógico ou de falha na comunicação entre quem ensina e quem aprende. Em seu livro, Turning Learning Right Side Up (numa tradução livre, Virando o Lado Certo do Aprendizado para Cima), os autores Russell L. Ackoff e Daniel Greenberg afirmam que ‘o sistema de educação atual tem uma falha séria: ‘é focado no ensino, em vez de no aprendizado’.
Oscar Wilde afirmou que a ‘educação é algo admirável, mas é bom lembrar, de tempos em tempos, que nada que vale a pena ser aprendido pode ser ensinado’. Nesse cenário, criatividade deveria ter papel de destaque nas escolas, até porque ela não pode ser ensinada. Então, deve valer a pena aprendê-la. A criatividade, que nos capacita a resolver problemas, que nos torna protagonistas da nossa história, que nos faz acreditar em nós mesmos e que melhora nossa saúde, mental e física, é essencial para o progresso de uma sociedade.
Cenin Soling escreveu, em seu brilhante artigo Alguma Escola Consegue Fomentar a Criatividade Pura?, que ‘a ideia de ensinar criatividade em um ambiente que exige análise, avaliação e pontuação parece improvável, se não impossível’. Improvável, sim. Impossível, não.
O uso de ferramentas como a educomunicação — a educação com o uso da mídia — é capaz de virar o jogo. A grande questão é que, para ser eficaz, precisa de um ambiente em que questionar seja, além de permitido, incentivado, e onde o espaço para a expressão exista.
Logo, faz-se necessário que o professor, acostumado a ‘ensinar’, esteja disposto a aprender, abrindo espaço para nova relação entre ele e seus alunos, sem hierarquia rígida e aberta ao diálogo, na qual todos aprendem e ganhem.
Marcos Mayer
Consultor em criatividade e inovação, publicitário, palestrante
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