Em busca do bom e barato


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Dois indicadores econômicos divulgados na semana passada -- a previsão de que a inflação pode ficar acima de 8% este ano e a maior taxa de desemprego para fevereiro desde 2011 -- reforçam o comportamento ainda mais cauteloso do consumidor. Para segurar os gastos, na hora de ir ao supermercado, ele está mais disposto a experimentar, como mostra uma pesquisa do instituto Data Popular. A mudança de comportamento pode beneficiar empresas que investem em produtos mais baratos, além de aumentar a participação das marcas próprias de grandes varejistas. O que se vê, nos últimos tempos, é a procura por produtos populares que, muitas vezes, custam até 30% menos do que similares “de marca” que, muitas vezes, são fabricados pelas mesmas empresas.
 
Aqui em Franca, percebe-se também esta movimentação com a inauguração de estabelecimentos com preços mais baixos, principalmente com marcas próprias. As vendas neste tipo de mercados, que têm forte atuação nas vendas no atacado, turbinam o consumo, com a redução da margem de lucro e, principalmente, das despesas de custeio, trabalhando com uma equipe enxuta. Hoje, Franca conta com pelo menos quatro lojas voltadas para este segmento e, em razão dos investimentos feitos -- e pela movimentação dos consumidores --, percebe-se que este tipo de negócio está prosperando, atraindo inclusive moradores de cidades próximas por causa dos preços mais em conta. Todos eles, aliás, também oferecem marcas próprias, com preços mais populares, que atraem o consumidor hoje “afogado” pelo aumento das despesas, principalmente depois do reajuste das contas de luz, água e dos combustíveis, além da inflação crescente, que vem pressionando o orçamento da classe média.
 
Junte-se a isso a proliferação de mercados populares, também instalados em nosso município, que apostam nas marcas próprias para conquistar o consumidor. Este tipo de estabelecimento, na maioria das vezes, é ligado a uma grande rede de hipermercados. Este movimento é capaz de modificar toda a relação de consumo, principalmente por causa das empresas que também investem numa linha mais barata, concorrendo com os próprios produtos, considerados “premium”, diante da redução deste nicho de mercado para as marcas mais caras. De fraldas a xampus, de molhos de tomate a leite longa vida, a oferta se tornou abundante e é possível se encontrarem alternativas de menor custo mas de qualidade, criando um custo/benefício mais atraente para o consumidor comum.
 
No caso de companhias que já atuam em um segmento mais intermediário, a tendência é de aparecimento de ofertas mais agressivas, com a criação de pacotes especiais. Esta é a chance que essas fabricantes têm de conquistar um cliente que, em tempos de bonança, não experimentaria seus produtos. O sucesso das marcas de posição intermediária em convencer o cliente a experimentá-las varia de acordo com o “apego” do consumidor a cada categoria. O comportamento não é uniforme. De maneira geral, no entanto, uma pesquisa feita pela Nielsen mostra que o cliente está mais disposto a economizar em alimentos e bebidas alcoólicas e menos propenso a trocar as marcas que elegeu como preferidas em seus produtos de higiene e beleza.
 
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