O ex-ministro Cid Gomes, da Educação, que discutiu com os parlamentares e se retirou da sessão onde compareceu convocado para explicar suas declarações de que “a Câmara tem de 300 a 400 achacadores”, deverá ser processado pelo que disse. Como não ocupa mais o posto de ministro, os congressistas não podem convocá-lo outra vez. Mas como quem acusa tem o ônus da prova, será chamado a sustentar o que disse e, não o fazendo, poderá ser processado, condenado e tornar-se inelegível para as próximas eleições.
O político brasileiro vive um momento de grande fragilidade. Malfeitos como os mensalões, os cartéis, as propinas e outras operações que desviaram dinheiro público e de organizações estatais para o custeio de campanhas eleitorais ou a compra de apoio parlamentar aos projetos e interesses do governo, deformam a imagem da classe perante a opinião pública. A declaração de Cid Gomes caiu como um petardo nesse instante crítico e os deputados, para salvar a própria imagem, o levarão aos tribunais para que, lá, seja coagido a fazer o que não fez na sessão da Câmara: explicar-se e, na medida do possível, desculpar-se pelo ataque. Pela gravidade do dito, se os parlamentares não o acionarem judicialmente, estarão vestindo a carapuça do erro, que é grave e não pode ser varrido para baixo do tapete.
O quadro de hoje é muito diferente do vivido em setembro de 1993, quando o então ex-deputado Luiz Inácio Lula da Silva, que exerceu o mandato de 1987 a 91, disse que na Câmara “há uma maioria de 300 picaretas que defendem apenas seus interesses”. A frase, dita no Amazonas, foi repetida Brasil afora e o próprio autor, dias depois, desconversaria, dizendo que “o resto (dos deputados) é gente boa, que vota por convicção ideológica e não por fisiologismo”. Nada lhe aconteceu. Cid precisa se precaver para não ter suspensa precocemente sua vida política. Se não tiver provas do que disse, beba o cálice amargo de desmentir-se a admitir ter cometido excesso. Mas se tiver, que as apresente logo e ajude a extirpar os malfeitores do Poder Legislativo.
Mas o importante, a essa altura dos acontecimentos é, com base nas denuncias ,apurar, identificar os autores, os crimes cometidos, e punir exemplarmente todos os achacadores e picaretas. O Brasil moderno não admite duvidas. Portanto, paga Cid se falou o que não sabia ou são punidos aqueles de quem ele sabe irregularidades...
Dirceu Cardoso Golçalves
Articulista
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