E agora, Alexandre?


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Com sua forma autocrática de administrar o município, sem entender o jogo democrático que pressupõe negociação com transparência, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) imagina que não deve satisfações a ninguém. Ele centraliza, não delega poderes e tenta passar como um rolo compressor sobre aqueles que não concordam com suas posições. Contando com uma fidelidade canina de sua ampla base de vereadores (e esbarrando em apenas três suaves opositores), nesta última semana o chefe do Executivo francano deve ter sentido que berimbau não é gaita, ao ser acusado pelo Ministério Público como um dos implicados no esquema de fraudes que deu um prejuízo à cidade de mais de R$ 500 mil. A acusação diz respeito à construção de creches na cidade. E, no sábado, 28, mais outra péssima notícia para o prefeito: os servidores públicos prometem entrar em greve já a partir desta segunda-feira.
 
O primeiro caso reflete bem a forma como o município está sendo gerido: sem qualquer planejamento ou responsabilidade, envolvido em inúmeras irregularidades que a Justiça está se empenhando em apurar e punir. O segundo mostra que o prefeito e seu séquito fizeram uma verdadeira lambança ao aprovar o reajuste do funcionalismo sem que todas as instâncias de negociação fossem esgotadas. A decisão pela greve ocorreu de forma unânime, defendida pelas centenas de servidores que lotaram ontem o teatro Judas Iscariotes. Com isso. a partir desta segunda estão programadas paralisações em todos os setores de serviços prestados pela Prefeitura. Vai piorar ainda mais o que é ruim, principalmente na área da saúde.
 
A categoria demonstra uma verdadeira revolta após manobras na Câmara Municipal, cuja maioria aprovou reajuste salarial e cartão alimentação sem uma negociação com o sindicato de classe. Os vereadores anularam a votação do projeto em segundo turno, permitindo que o prefeito sancionasse o reajuste em índices bem abaixo dos reivindicados pela categoria, aumentando ainda mais a insatisfação geral. Deve-se ressaltar que apenas três dos vereadores posicionaram-se contra essa medida autoritária, ditatorial e esdrúxula: Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB). 
 
A situação criada pelo próprio prefeito, tentando fazer valer a sua vontade de forma truculenta e açodada, pode trazer desdobramentos bastante desagradáveis não só para Alexandre Ferreira mas também para os assessores que continuam lhe dando conselhos estapafúrdios. A greve dos servidores, dependendo de seu alcance -- se seguir a do ano passado, será quase total — tornará ainda mais insustentável a autoridade do prefeito para dirigir os nossos destinos. Além disso, o Executivo corre o risco de não encontrar guarida para a sua ação na Justiça do Trabalho. Assim, por causa da forma como tenta obrigar os servidores municipais a aceitarem um acordo que não aprovam, Alexandre Ferreira será obrigado a retomar a negociação até conseguir a anuência dos trabalhadores ou então um acordo na Justiça. É mais um desgaste numa administração pantanosa, que não consegue enxergar a realidade, preferindo iludir-se com cenários que não existem. 
 
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