Pelo segundo ano consecutivo o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) enfrentará uma greve dos servidores públicos do município. Em assembleia realizada na manhã de sábado, a categoria decidiu cruzar os braços a partir de segunda-feira em protesto pela forma com que o governo conduziu as negociações salariais. A promessa dos trabalhadores é parar a máquina da administração para forçar o prefeito a negociar. A paralisação afetará escolas, unidades de saúde, serviços sociais e Paço Municipal. Apenas os serviços essenciais serão garantidos. “Vamos devolver o tapa na cara com a greve”, afirmou Luiz Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores.
A assembleia reuniu em torno de 600 pessoas no Teatro “Judas Iscariotes”. Todos os lugares foram ocupados. Havia servidores sentados no chão, em pé e do lado de fora. Alguns chegaram à reunião com exemplares de ontem do Comércio da Franca com a notícia sobre a manobra feita pela Câmara para ajudar o prefeito a aprovar o projeto que fixava a correção salarial sem que a categoria tivesse sido consultada.
A irritação dos funcionários com Alexandre Ferreira e vereadores da base aliada ficou explícita. Todas as vezes em que o prefeito e a Câmara eram citados, ouvia-se uma forte vaia. Difícil saber quem foi mais vaiado, se Alexandre ou o seu líder e ex-sindicalista, Luiz Vergara (PSB). “Vamos para a greve e mostraremos para o prefeito que não somos bananas. Ele tem que aprender a nos respeitar”, gritou um servidor. Muitos seguravam cartazes protestando contra a administração.
Antes mesmo da reunião começar, o clima de descontentamento dos funcionários da Prefeitura sinalizava que a greve seria um desfecho inevitável. O fato de Alexandre encerrar as conversas sem que houvesse um acordo, somado à atitude da Câmara de mudar a regra e permitir que o projeto com os valores estipulados por ele fosse sancionado com apenas uma votação, irritou os trabalhadores. “O Alexandre atropelou, passou por cima do Sindicato e dos servidores. Foi uma sacanagem feia, uma rasteira. Ele é um ditador”, afirmou Nascimento. “Foi tudo muito vergonhoso desde o começo. A atitude do prefeito e dos vereadores deixou os servidores decepcionados. Enquanto eles estiverem contra a gente, vamos mostrar a nossa força”, disse a servidora Andreia Mara Braguim.
O presidente explicou como foram as negociações, falou da manobra feita pelo prefeito e Câmara, disse que o valor do vale oferecido pelo prefeito está garantido e tirou dúvidas sobre a greve. No fim, a proposta de paralisação foi votada. Todos os presentes se levantaram, ergueram os braços e gritaram: “Greve, greve, greve”. Na segunda, além de cortar o atendimento em pontos vitais da administração, os servidores em greve vão se concentrar diante da Prefeitura logo cedo e prometem fazer protestos contra o prefeito durante todo dia. “Acredito que a greve será maior do que a do ano passado. Tudo por culpa do prefeito, que não nos deu o direito de negociar. Vamos fazer um manifesto pacífico e sem atropelos. Pedimos a compreensão da população. Não queríamos este movimento, mas é necessário pela truculência e má gestão por parte do Alexandre”, finalizou Fernando.
Além da greve, o governo corre o risco de enfrentar outro transtorno. No começo da semana, a Justiça vai se manifestar sobre os dois pedidos de liminar, feitos pelo Sindicato e pelos vereadores Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB), para que a lei sancionada pelo prefeito seja suspensa.
A Prefeitura não tem expediente aos sábados. Procurado, Marcelo Facuri, assessor de comunicação, não atendeu aos telefonemas da reportagem.
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