Motos respondem por 40% dos acidentes de trânsito na cidade


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Pelo menos 75 acidentes envolvendo motocicletas são registrados todos os meses em Franca
Pelo menos 75 acidentes envolvendo motocicletas são registrados todos os meses em Franca
Os mais recentes acidentes envolvendo motocicletas em Franca escondem uma estatística silenciosa, mas assustadora ao mesmo tempo. Na ponta do lápis, é como se a clavícula quebrada do sapateiro Marcelo Custódio, 37, acidentado no último dia 20 de março, a morte do casal atropelado por um carro em sua moto, no bairro Santa Teresinha, em dezembro passado, ou o acidente provocado por outro sapateiro, morador de Ribeirão Corrente, passado o impacto das ocorrências, entrassem no rol dos 920 atendimentos que o Corpo de Bombeiros e o Samu (Serviço Médico de Urgência) fazem todos os anos e se transformassem apenas em números.
 
A média de 2,5 acidentes por dia envolvendo motocicletas não se explica sozinha por barbeiragens, por imprudências, por falha de sinalização, da via ou na manutenção dos próprios veículos. Para o comandante dos Bombeiros de Franca, tenente Marcel Sangali Filippin, é uma soma de tudo isso, não sendo possível atribuir a um ou outro fator a causa desse tipo de ocorrência. O oficial diz que o assunto é complexo, mas numa primeira análise é preciso ter em mente que a cidade de Franca, com 190 anos e com uma população que beira os 330 mil habitantes, obviamente não comporta em suas vias, principalmente as localizadas na área central da cidade, o trânsito que se verifica hoje. “O boom econômico permitiu que a população comprasse mais veículos e é claro que a cidade não foi dimensionada para isso”, disse ele.
 
Pressa
Responsável pelo atendimento de emergência, em tarefa dividida com as equipes de Samu, o tenente faz uma leitura mais aprofundada da questão, atribuindo à pressa cada vez maior no dia a dia, que inevitavelmente acaba incidindo em alta velocidade, como um dos fatores que também podem contribuir para a ocorrência de acidentes.
 
O oficial adverte, no entanto, que o problema verificado atualmente em Franca é endêmico de qualquer outra cidade do mesmo porte em qualquer parte do Brasil. O comandante dos bombeiros disse que a elaboração de um plano municipal de mobilidade pode ajudar na diminuição de acidentes. 
 
Segundo ele, medidas como a colocação de semáforos e rotatórias na avenida Ademar de Barros ou a instalação de guard-rails, ajudaram a reduzir as ocorrências. “Depois das modificações naquela avenida não tivemos mais atropelamentos por lá. São medidas que nos ajudaram muito na segurança”, afirmou. “Os bombeiros atuam com as consequências dos acidentes e para nós, essas iniciativas foram uma boa solução”, acrescentou.
 
Educação
Por telefone, Filippin disse que a solução para mudar esse quadro passa necessariamente pela educação no trânsito. Nesse quesito, ele não quis comentar diretamente se a formação de novos motociclistas pelas autoescolas é falha. “O Corpo de Bombeiros de Franca realizou palestras para mais de quatro mil pessoas no centro de formação de condutores, quando salientamos a importância do uso do veículo como meio de transporte”, comentou. “O jovem precisa utilizar a informação que está à disposição dele da forma mais correta possível. E a educação é a chave para transformar as pessoas”.

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