‘Quando o povo vai para as ruas, as pernas dos políticos tremem’


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Deputado estadual pelo PSDB inicia o sétimo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo com a responsabilidade de ser o único representante de Franca
Deputado estadual pelo PSDB inicia o sétimo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo com a responsabilidade de ser o único representante de Franca
Roberto Carvalho Engler Pinto, 71, assumiu o sétimo mandato consecutivo como deputado estadual, no dia 15. Com a responsabilidade de ter recebido 122,5 mil votos e de ter sido o candidato mais em toda a região nordeste do Estado, pretende fazer deste, o melhor entre todos os mandatos. Para isto, reuniu a equipe de assessores e avisou que não quer saber de acomodação: “o espírito do trabalho é visando a próxima reeleição”. 
 
Nesta entrevista, Engler fala de suas expectativas para a nova legislatura, das divergências com Alexandre Ferreira e Sidnei Rocha, afirma que político só tem medo do povo e conta se o sonho de ser prefeito ainda está vivo.
 
O senhor declarou que espera fazer deste  o melhor mandato. Como conseguir o melhor diante desta crise financeira?
As dificuldades não dependem da gente. Elas são transitórias, acredito. Imagino que não vamos passar quatro anos de vacas magras. Pelo que tenho visto, visitando secretários e conversando com todo mundo, a situação é caótica em 2015, ou seja, a crise nacional está refletindo em São Paulo. A arrecadação não vai ser atingida e haverá corte de investimento e de custeio. É um tempo de vacas magras, sim. Não vamos ter conquistas assim de profusão como tivemos ao longo desses seis anos. Mas, acredito que seja apenas uma transição. Muitas coisas de 2014 ficaram para trás e não saíram. O governo vai pagar, vai limpar toda a área de 2014. Vamos ver o que ficou para trás e cobrar.
 
Quais pendências serão prioridades?
Elencaria duas: a extensão do Conservatório de Tatuí e a pavimentação da estrada velha Franca/Batatais. Recursos que estão transitando para entidades assistenciais vão sair, mas uma coisa tenho que falar para ficar claro: o governo não vai fazer obras novas. Nesse instante, se alguém levar uma proposta nova, a resposta é ‘não’. Os projetos que já estavam em andamento vão continuar. Quando eu falo, por exemplo, da duplicação da Cândido Portinari - de Jeriquara até a barranca do Rio Grande -, é obra nova, então, vou ter que esperar um pouco para fazer o pedido ao governador.
  
Esse deve ser o mandato da despedida ou o senhor buscará o oitavo?
Sétimo mandato, com mais de 100 mil votos, é um marco histórico em Franca. Fui o deputado mais votado da região nordeste do Estado, o que é um orgulho. A ordem que eu dei à minha equipe é: rumo ao oitavo mandato. O espírito do trabalho é visando a próxima reeleição.
 
A expressiva votação fez o senhor voltar a sonhar com a Prefeitura de Franca?
Sonhei uma vez, sonhei duas vezes. Acalentei esse sonho, mas é um sonho que passou. Franca respondeu, preferiu um outro candidato e aceitei as urnas. Me dou bem como deputado estadual, vejo o resultado como muito positivo. Se a população está satisfeita comigo onde eu estou, para que mudar?
 
O senhor disse que sonhou duas vezes, sonhará a terceira em 2016?
Não, não penso isso. Em 2016, de forma alguma. Quem teve essa votação histórica, não só na cidade de Franca, mais de 74 mil votos que vieram de outras cidades, todos esperam que eu seja instrumento deles. Como vou trair todo mundo e ser candidato a prefeito da cidade de Franca? De forma alguma.
 
Como é a relação do senhor com o prefeito Alexandre Ferreira?
Acho que eu sou um instrumento mais eficiente do que eu sou usado. Ele sabe que estou à disposição, usa quando quiser, porque sou eleito pelas urnas para servir minha cidade, servir a cidade não é só servir o prefeito, tem que fazer serviços junto com a administração municipal e com as escolas públicas, as rodovias, as entidades essenciais e etc. Todas as vezes que ele me procura, eu estou pronto para atendê-lo. Procura de número suficiente? Não sei, isso aí ele que tem que responder.
 
O senhor não apoiou o Alexandre Ferreira em 2012. Ele trabalhou contra o senhor no ano passado, na reeleição para deputado. Isso evidencia que há um distanciamento entre o prefeito e o deputado, não?
Nós ainda não construímos uma história, de um relacionamento que pode ser de parceiros, quer dizer, companheiros de mesmo partido, um pelo outro. Não o apoiei para prefeito e a Franca toda sabe porque; ele estava indicado por um prefeito (Sidnei Rocha) que me desprezou completamente durante oito anos, e eu deixei público o porquê de não apoiá-lo. Cheguei a dizer ao Alexandre que ele me deu o troco, agora, nas últimas eleições. A diferença é que, na época em que ele foi candidato a prefeito, eu não era presidente do partido. Agora, ele é presidente do partido, tinha um deputado estadual do partido, tinha um deputado federal do partido e ele preferiu outra opções, mas o jogo tá zero a zero. Então vamos construir essa estrada de companheiros? Não sei. Isso é uma resposta bilateral, da minha parte, estou pronto, agora da parte dele ele tem que tomar uma decisão.
 
Com quem é mais fácil se relacionar: Alexandre ou Sidnei Rocha?
Eu diria o seguinte: com o ex-prefeito Sidnei foi impossível. Em todas as ocasiões, ele procurou implodir esse homem em público. Durante oito anos como prefeito, ele nunca me chamou para tomar um cafezinho, para discutir um problema de Franca. Com o Alexandre, estamos tentando tratar, então, não tenho ainda um veredicto formado para dizer da forma que eu me referi ao anterior.
 
Por que essa divergência tão intensa com o Sidnei Rocha?
Não sei. Fui instrutor dele no Tiro de Guerra, quando tínhamos 18 anos, na mesma turma, eu dirigia a turma. Quem sabe nasceu daí? Quando fui presidente da Câmara, ele tentou puxar meu tapete em todas as ocasiões. Quando fui votado como coordenador regional do PSDB, ele tentou puxar meu tapete. Me surpreendi com ele a vida toda. Chega num ponto que o copo transborda. O que eu conclui é que não dava para ter um relacionamento político com ele.
 
O racha no partido não pode fazer com que o PSDB perca o comando da Prefeitura nas eleições de 2016?
Pode perfeitamente. Pode concorrer para isso. Essa é a primeira condição: você ter um candidato que chegue, essa é a condição mais importante. A unidade partidária é importante, sou pela união. Fizemos um acordo em que estou indicando a presidência do meu partido, vai ser o Wagner Artiaga, a partir de maio. Nosso entendimento é pela unidade partidária. Vamos conseguir? Vai depender das outras partes envolvidas.
 
O Alexandre deve tentar a reeleição ou o PSDB deve apresentar outro nome?
Se o Alexandre falar ‘quero ser candidato à reeleição’, ele tem esse direito. Não vou entrar na questão da possibilidade dele conseguir seu objetivo. Ele tem o seu direito. 
 
Direito ele tem, e condição?
Acho que são os eleitores que devem responder essa questão, posso ter uma avaliação que seria pessoal e seria muito cedo falar essa minha posição. Acho que a situação em geral, na cidade de Franca, por tudo que está acontecendo, não está boa, não.
 
Como analisa a atuação dos atuais vereadores de Franca? 
Todas as casas parlamentares em qualquer nível - municipal, estadual, federal - estão em turbulência. Turbulência porque em todas elas as cortinas estão sendo abertas e a gente está vendo muita coisa atrás das cortinas. Nesse ponto, faço aqui a minha declaração de apreço à imprensa que tem sido grande veículo de informação, fazendo com que a população vá às ruas. Fico extremamente orgulhoso quando vejo o povo nas ruas. Tenho a convicção de que o político não tem medo de nada. O político não tem medo de Ministério Público, não tem medo de imprensa, não tem medo de polícia. Ele tem medo é do povo. Quando o povo vai para as ruas, as pernas dos políticos tremem e muita coisa acontece. Acho que a Câmara de Franca tem seus valores, mas tem muitos acontecimentos que desagradam a todos nós, como o último fato que nós tivemos da agressão de um vereador contra um cidadão. São fatos lamentáveis. 
  
O senhor se considera um homem realizado politicamente?
Muito. Muito! Olha, a gente faz uma avaliação de consciência da história que a gente construiu como professor, como vereador, como deputado, como professor da USP, uma história como cafeicultor. Estou muito satisfeito com a minha vida, acho que Deus me agraciou demais da conta e agradeço por essa força que tem me dado de ser instrumento a serviço da população.
 
O senhor se imagina fora da política?
Tenho discutido essa questão com a minha esposa, lá na intimidade da nossa casa, é claro que esse assunto surge. A hora de parar é aquela em que me sentir não útil à população. Se eu ainda tenho condição, devo continuar, não devo me acovardar, não devo sair, porque senão seria um egoísta. Por enquanto, estou me sentindo muito disposto em fazer esse trabalho para o bem da população.
 
É possível fazer política com ética, sem corrupção?
Nossa senhora! Só acredito na ética política, na decência, na política transparente e sem enganação, porque parece que enganação é arma que se usa por aí. Sou radicalmente contra. A política não pode ter enganação. Sem ética na política a coisa não funciona.
 
O senhor defende o impeachment da presidente Dilma?
Não. A menos que ela seja culpada. Juridicamente não há nada que leve ao impeachment. Impeachment sem nada, é golpe, e sou contra o golpe. Ela ganhou democraticamente o cargo e deve exercê-lo. Agora, se amanhã vier a ter alguma coisa efetiva contra ela, é diferente.

O senhor aprova o governo Dilma? 
Nossa Senhora! Desaprovo completamente, aliás, todos nós. O povo brasileiro se sente enganado pela Dilma e pelo PT, por essa política que vem do Lula, esse é o chefe do bando. A máscara está caindo e o Brasil está se revelando um País fraco, com sua economia caindo aos pedaços, com a indústria fechando as portas, com desemprego e inflação. Quando a coisa aperta no bolso, quando a inflação vem chegando o povo não consegue pagar conta de supermercado, o brasileiro não perdoa a corrupção.

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