Até dias atrás, o governo federal ainda vinha evitando considerar que a nossa economia está totalmente deteriorada, a um passo da recessão. Porém, com a divulgação dos índices oficiais sobre atividade econômica, produção industrial, emprego e comércio exterior, a equipe da presidente Dilma Rousseff (PT) passou a encontrar dificuldade em afinar o discurso e transmitir certa tranquilidade, principalmente aos setores mais prejudicados. Não há mais condição de que a atividade e, consequentemente, os índices registrem uma melhora em curto ou médio prazo. Os números divulgados nesta semana apontam para uma recuperação lenta, que pode acontecer somente a partir de meados do ano que vem, isso caso as medidas de ajuste fiscal surtam os efeitos desejados pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento. Ainda mais diante da resistência de deputados e senadores em aprovar o pacote do ministro Joaquim Levy (Fazenda).
De acordo com o divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB brasileiro registrou alta de 0,1% em 2014 ante 2013. Ao apontar para uma estagnação da atividade econômica no ano passado, vê-se que todo o esforço para reverter a situação via ajuste fiscal, com corte de gastos, investimentos e dispêndio com programas veio muito tarde, o que dificilmente vai permitir uma volta por cima ainda em 2015 como querem os integrantes da equipe econômica. O número só não ficou negativo por causa dos setores de serviços e agronegócios, que sustentaram o índice apurado em 2014. A indústria nacional apresentou um resultado desastroso, com quedas da produção e dos empregos.
Tudo isso se reflete na balança comercial: as exportações caíram 1,1% em 2014 ante 2013. Um número expressivo, que expõe a queda da produção de todo o País, causando maiores prejuízos à indústria, principalmente a de transformação, cujos números ficaram muito abaixo dos registrados em anos anteriores. Daí para uma retração ainda maior no mercado de trabalho é um pulo. De acordo com os indicadores divulgados nesta semana, o desemprego continua fazendo vítimas no ano: a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País subiu em fevereiro para 5,9%, o maior patamar para o mês desde 2011, de acordo com a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE. Como em outras regiões, principalmente as industrializadas, as demissões têm sido muito maiores, percebe-se que o índice é mais alto do que o anunciado oficialmente.
Para piorar a situação, a tendência é de que a inflação recrudesça ainda mais. Especialistas consultados pelo Banco Central são unânimes em considerar para este ano um índice bem acima do centro da meta perseguido pelo governo (de 4,5%): segundo a pesquisa Focus do BC, o País deve fechar o ano com um índice em torno de 8%. Com isso, voltam a ser prejudicados a produção e o consumo, o que pode causar maiores dores de cabeça para a equipe econômica em sua tentativa de equilibrar contas e índices. Como se vê, a luz no fim do túnel continua ainda bem distante.
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