Câmara muda regra para ajudar prefeito e provoca ira dos servidores municipais


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Assembleia dos servidores no sábado passado, quando decretaram estado de greve. Hoje eles se reúnem às 10 horas, no teatro ‘Judas Iscariotes’, para decidir se cruzam os braços
Assembleia dos servidores no sábado passado, quando decretaram estado de greve. Hoje eles se reúnem às 10 horas, no teatro ‘Judas Iscariotes’, para decidir se cruzam os braços
O que era indigesto, ficou impossível de engolir. Na terça-feira, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) atropelou as negociações salariais com servidores públicos e, sem que tivesse ocorrido um acordo, encaminhou projeto em regime de urgência para a Câmara fixando da maneira como quis a revisão dos vencimentos da categoria. A maneira unilateral encontrada pelo governo para acabar com as conversas irritou os trabalhadores. Mas, não era tudo. Uma nova faceta do jeito Alexandre de administrar veio à tona ontem. Para não correr riscos de ser derrotado na próxima semana, o prefeito, com apoio de vereadores aliados, decidiu mudar as regras com o jogo em andamento e sancionou, ontem, a lei que deveria ser votada novamente na próxima semana.
 
Na última sessão, apesar dos servidores se posicionarem de maneira contrária, a Câmara aprovou o projeto apresentado em regime de urgência pelo prefeito. Responsável por analisar a legalidade e forma de tramitação da proposta, a Comissão de Legislação, Justiça e Redação, composta pelos vereadores Daniel Radaeli (PMDB), Luiz Vergara (PSB) e Jépy Pereira (PSDB), emitiu parecer esclarecendo o plenário que a votação teria que ser feita em dois turnos de discussão nos termos “do artigo 180 do Regimento Interno”. O entendimento foi assinado pelos três vereadores. No ano passado, as votações em dois turnos.
 
Todos esperavam que o projeto voltasse na sessão da próxima terça-feira para a votação em segundo turno. Era quando os vereadores teriam a oportunidade de apresentar emendas à proposta original. “Eu, o Radaeli e a Valéria protocolamos uma emenda propondo que o valor do vale alimentação fosse de R$ 330”, disse Márcio do Flórida (PT).
 
Mas, a regra foi mudada mesmo com o processo legislativo já tendo sido iniciado. Anteontem, dois membros da Comissão de Justiça, Jépy e Vergara, que é o líder do prefeito, protocolaram ofício mudando o parecer inicial e alegando que a votação deveria ocorrer em um único turno. “Data máxima vênia, que houve evidente e palpável equívoco quanto ao nosso entendimento de que há necessidade de discussão e votação em dois turnos”, escreveram.
 
Presidente da Comissão, Radaeli se negou a assinar o novo parecer e manteve sua posição inicial. Mas, o presidente Marco Garcia (PPS) avalizou a decisão de Jépy e Vergara e encaminhou o projeto para a sanção do prefeito. Alexandre não perdeu tempo e publicou a lei, ontem, concedendo a correção da inflação de 7,68% nos salários e fixando o vale alimentação em R$ 260. À tarde, a Prefeitura divulgou nota informando que os novos valores serão pagos no dia 6. A categoria ainda negociava para tentar aumentar o valor do vale.
 
A mudança repentina da lei teria sido uma manobra orquestrada entre o prefeito e os vereadores aliados. Os servidores já haviam anunciado que vão fazer assembleia neste sábado, às 10 horas, para decidirem se entram em greve ou não. “Caso a categoria decida parar, a pressão seria grande sobre os vereadores na próxima sessão e, dificilmente, o projeto seria aprovado em segundo turno nas condições apresentadas pelo prefeito. Acredito que, por isso, correram para mudar a regra”, disse Flórida.
 
O Sindicato dos Servidores e os vereadores contrários à mudança vão tentar derrubar a lei (leia texto de apoio).
 
 
 

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