O HSBC anunciou que a partir do dia 24 de abril os correntistas da agência de Batatais passarão a ser atendidos em Altinópolis, a cerca de 30 quilômetros. O anúncio acontece após um imbróglio envolvendo a instituição e moradores do edifício Cidade de Batatais, onde no piso térreo está a agência. Temendo que caixas eletrônicos sejam alvos de bandidos que atuam com explosivos, eles iniciaram um movimento para expulsar o banco.
O descontentamento com a presença do HSBC é antigo, mas ganhou vigor em outubro passado depois que dois caixas eletrônicos foram explodidos em pouco mais de um mês em outras agências no Centro da cidade.
O edifício de oito andares que abriga o HSBC fica na praça da igreja Matriz, foi inaugurado em 1968 e é endereço residencial de ao menos 13 famílias, que, segundo a síndica do condomínio, Layse Maia, 75, trocaram o privilégio de viver em frente ao mais importante cartão postal da cidade pelo pânico de que um possível ataque de bandidos interfira na estrutura física no prédio, ou até mesmo provoque o seu desabamento. “Enquanto existirem esses caixas aqui, todos se preocupam muito. Ninguém dorme em paz”, disse.
E a perturbação tem embasamento técnico. Um laudo encomendado pelos condôminos e assinado pelo engenheiro Nelmo Mello Maia indica que há colunas de sustentação do prédio muito próximas aos caixas eletrônicos, não descartando que uma possível explosão culmine no desabamento do imóvel.
Para resolver a situação, Layse conta que lançou mão de tudo o que estava ao seu alcance, citando um pedido de apoio feito à ACE (Associação Comercial e Empresarial) - que mandou uma carta ao banco pedindo providências - e outro à Prefeitura, que participou de reuniões com representantes do banco e com os moradores.
A administração municipal não renovou o alvará de funcionamento da agência, segundo o vice-prefeito e assessor de comunicação da Prefeitura, José Paulo Fernandes. “Foi no intuito de buscar a preservação da segurança dos moradores.”
Ele explica que a decisão foi técnica, com base em dois documentos: os pareceres que foram encaminhados pelos próprios moradores e um novo laudo elaborado pela Secretaria Municipal de Obras e Planejamento, que corrobora com o primeiro, citando o risco eminente de abalo estrutural.
Tanto a Prefeitura quanto a representante dos condôminos, no entanto, alegam que sugeriram repetidas vezes que a agência fosse transferida de imóvel, e não fechada.
A assessoria de imprensa do HSBC apenas confirmou o fechamento da agência, mas não informou se a decisão teve relação direta com o movimento dos moradores ou com a negativa de renovação do alvará por parte da Prefeitura, além de não informar se os funcionários serão remanejados ou demitidos, nem deixa claro se isso se trata de um fechamento definitivo na cidade.
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