Finalmente, Franca começa a acompanhar mais um capítulo do episódio envolvendo a Prefeitura Municipal e duas construtoras, o qual ficou conhecido como ‘esquema das creches’. Embora os que foram eleitos para fiscalizar todos os atos do Poder Executivo tenham deixado passar a oportunidade de investigar e punir os implicados,e agora réus, a Justiça se mostrou mais uma vez a grande aliada do contribuinte brasileiro diante do verdadeiro assalto que feito contra os cofres públicos, em todos os níveis da administração — federal, estadual ou municipal.
Enquanto vereadores — e deputados e senadores — se omitem no esclarecimento de uma série de esquemas fraudulentos, as instâncias do Poder Judiciário começam a se destacar ao processar não apenas entes públicos, mas também empresas e demais implicados nos inúmeros escândalos que estamos acompanhando ultimamente.
Aqui em Franca, onde as mortes de pacientes envolvendo a Saúde Pública são praticamente ignoradas, onde um vereador agride um eleitor dentro do plenário da Câmara e continua exercendo seu mandato sem problemas e onde ninguém explica como ficará o caso da ‘indústria de horas extras’ envolvendo médicos, o promotor Paulo César Corrêa Borges, acusa o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e mais nove pessoas, além de suas empresas, de participação em um esquema de desvio de recursos públicos na construção de creches municipais. A peça acusatória aponta um prejuízo superior a meio milhão de reais.
O promotor é categórico ao afirmar que o prefeito Alexandre Ferreira e o secretário municipal de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, sabiam de todas as irregularidades e nada fizeram para impedir o prejuízo aos cofres públicos. Pior: ambos agiram ‘pessoal e diretamente’ para prorrogar os contratos, permitindo que mais recursos fossem desviados. Prefeito e secretário só resolveram agir depois que o caso veio a público, denunciado pelo Comércio. Com oito meses de atraso, Alexandre Ferreira decidiu somente ontem exonerar e afastar os servidores envolvidos no escândalo, denunciados pela Promotoria Pública.
Tivéssemos um Legislativo mais interessado em fiscalizar as ações do Poder Executivo, com certeza a sangria dos cofres públicos poderia ter sido estancada em meados do ano passado. Mas não: o interesse dos vereadores francanos, em sua maioria, não coaduna com os anseios das centenas de milhares dos moradores de nosso município. Faz-se ainda por aqui uma política rasteira, onde o corporativismo e os interesses pessoais se sobrepõem às necessidades da cidade e de sua população.
Quem sabe, a partir desta denúncia — e da tramitação de outros processos na Justiça —, nossos políticos entendam que ninguém fica impune e as ilegalidades cometidas no exercício do mandato acabarão por condenar criminalmente aqueles já foram condenados pelos próprios eleitores.
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