Conselho vira tribunal para julgar vítima de tapa


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O marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto, em depoimento ontem: ‘Acho que foi a estupidez imensa da pessoa’, disse sobre o tapa
O marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto, em depoimento ontem: ‘Acho que foi a estupidez imensa da pessoa’, disse sobre o tapa
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara abriu processo interno para apurar a conduta do vereador Luiz Vergara (PSB) que deu um tapa na cara do marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto. A vítima da agressão que ganhou repercussão nacional prestou depoimento ontem. Se havia alguma dúvida sobre o desfecho do caso, as dúvidas não existem mais. Ele foi sabatinado por uma hora e vinte minutos. Teve que responder a diversas perguntas que não têm relação com o caso, como se tem problemas de depressão ou psiquiátricos ou se pediu para o prefeito bater nele.
 
Vissotto chegou sozinho para o depoimento. Minutos antes de a reunião começar, Luiz Vergara entrou no plenário e sentou-se em frente, a poucos metros de sua vítima. O assessor e o filho do vereador também ficaram o tempo todo por perto. O marceneiro fez um relato de discussões que teve nas redes sociais com o vereador, levantou a possibilidade de o tapa ter sido premeditado e entregou cópias das conversas para os membros do Conselho.
 
Ele negou que tenha feito ofensas morais a Luiz Vergara. Afirmou que na fatídica sessão apenas teria falado com o vereador sobre o seu interesse em acessar as redes sociais do político. “Eu disse que queria acessar o Facebook dele, simplesmente, para acompanhar as postagens dele enquanto homem público. Em nenhum momento, chamei ele de corrupto ou ladrão.” Segundo Vissotto, após este diálogo, Vergara teria passado a ameaçá-lo. “Ele disse que iria me dar um tapa e que me pegaria lá fora. Falei para ele dar o tapa aqui. Ele deu o tapa e saiu correndo. A verdade está nas gravações. O resto é versão dele.” Disse que não sabia explicar o motivo pelo qual foi agredido. “Acho que foi a estupidez imensa da pessoa.”
 
O vice-presidente do Conselho, Jépy Pereira (PSDB), que havia feito uma única pergunta para Vergara no dia anterior, foi mais incisivo ontem e fez ao menos sete questionamentos a Vissotto. Começou querendo saber a que ele se referia quando perguntou “quanto” a Vergara. “Só perguntei quanto, nada mais. Cada um entende da maneira que quiser. Pode ser quantos anjos, favores, caminhões de terra...”
 
Jépy perguntou, ainda, se Vissotto confirmava que, “em diversas oportunidades”, tumultuou a sessão, se teve problemas com outros vereadores, se fez a filha de um vereador chorar e se chegou na Câmara mostrando dinheiro. 
 
Vissotto admitiu que teve desentendimentos com diversos outros políticos, entre eles, o próprio Jépy, Donizete da Farmácia (PSDB), Laercinho (PP), Pastor Otávio Pinheiro (PTB), Valéria Marson (PSDB), Nirley de Souza (DEM), Roberto Engler (PSDB) e Ubiali (PSB). Negou que tenha feito a filha de um vereador chorar e disse que nunca afirmou que os vereadores teriam sido comprados. Jépy também quis saber se a vítima de Vergara tem problemas de saúde, de depressão, se ficou um ano fechado em um quarto ou se faz tratamento psiquiátrico. “Não, mas muitas pessoas precisam fazer”, respondeu Vissotto.
 
Canivete
Questionado por Pastor Otávio se era verdade que ele tinha agredido o vereador Laercinho diante de familiares em um bar, Vissotto negou. “O Laercinho é um mentiroso contumaz da pior espécie. Ela não estava com a família e, sim, com dois amigos. Não encostei o dedo nele. Apenas entreguei os panfletos que haviam jogado em minha casa. Esse mentiroso teve a capacidade de dizer que eu iria matá-lo.”
 
Disse ser mentira o fato de não ter cometido algo pior contra Laercinho porque não estava armado. “Não foi por falta de faca, mas por excesso de responsabilidade. Sempre tenho um canivete comigo. Sou cuteleiro, sou apaixonado por facas e canivetes”, afirmou. Neste momento, Vissotto tirou um canivete que trazia consigo e colocou sobre a mesa, deixando à disposição dos membros do Conselho. 
 
Donizete da Farmácia (PSDB) questionou se Vissotto considerava certa a atitude dele de entregar panfletos para o Laercinho em um bar. “Foi. Não ofendi ninguém.” O vereador ainda perguntou o que Vissotto faria se ele estivesse no trabalho e alguém chegasse para perturbá-lo. “Eu não faria nada.” Por fim, Pastor Otávio perguntou se era verdade que Vissotto teria pedido, em um evento público, que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) lhe desse um tapa no rosto. “Apenas ofereci meu rosto para o prefeito dar um tapa porque eu fiquei com nojo, tive vontade de vomitar quando ele manteve o Vergara como seu líder.”
 
A audiência corre o risco de ser impugnada a pedido do vereador Vergara, que alega que seu advogado não foi notificado a tempo de participar do depoimento de Hélio Vissotto.
 
 

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