Que a nossa classe política não é bem avaliada pelos brasileiros já é uma notícia velha. A cara de paisagem destes mesmos políticos diante de sucessivas pesquisas — e manifestações populares — também é por demais conhecida. Mas a falta de medidas que impeçam que continue ativo tanto o vereador que agrediu um eleitor no plenário do Legislativo quanto o tesoureiro de um partido que esteja preso por ter sido indiciado em um esquema de pagamento de propinas envolvendo a maior empresa estatal brasileira, isso é inconcebível.Não podemos mais ver casos deste tipo acabando em pizza ou em uma sentença branda que termina por irritar a maioria dos cidadãos de bem do País, os quais lutam para manter suas famílias e honrar seus compromissos à custa de muito suor.
O caso Vergara aqui em Franca é exemplar. Quem acompanha a movimentação dos integrantes do Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores já percebeu que o corporativismo vai continuar dominando as decisões. Luís Vergara (PSB) esbofeteou um eleitor dentro do plenário do Legislativo e, desde quando ocorreu o fato, ele só fez desfiar uma série de sandices que, à vista do público, apenas tornam a sua situação mais difícil diante do olhar público. Em um primeiro momento, o vereador chegou a dizer que o eleitor havia merecido o tapa na cara. Depois, alegou que “não estava” vereador no momento da agressão. Agora, chega ao cúmulo de afirmar que o vídeo sem qualquer edição captado pelo repórter fotográfico Dirceu Garcia, do grupo GCN, continha mentiras e não passava de “uma jogada política”.
O que se estranha é que ele continua exercendo uma posição de destaque na Câmara, incluindo o posto de líder do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), com o qual criou um estratagema para que a Prefeitura concedesse um aumento aos servidores municipais dentro dos índices que o Executivo queria, empurrando goela abaixo da categoria valores que não chegaram a ser debatidos com os servidores municipais. Antes deste caso, ao arquivar uma representação contra Laércio Matias, o Laercinho (PP), que ofereceu vantagens para que um munícipe permitisse que uma estrada construída pela Prefeitura invadisse as suas terras, o Conselho de Ética deixou claro que pretende agir em defesa do colega e não do decoro e da moral parlamentar.
O mesmo ocorre no Partido dos Trabalhadores, onde o tesoureiro João Vaccari Netto, mesmo preso por causa dos indícios de que recebeu propina de empreiteiras no esquema da Petrobras, ainda mantém seu posto na legenda. Há diversos deputados, que começam a ser investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que integram a CPI que investiga os desvios da Petrobras, podendo mesmo ser julgados e condenados por participarem do esquema que funcionava na estatal. Deveria existir um mecanismo que impedisse entes públicos como Vergara de manter o posto, diante da comprovação da quebra de decoro. Do contrário, o País vai continuar vendo as raposas tomando conta do galinheiro sem que nada se possa fazer.
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