Vergara acusa vítima: ‘É um agressor em série’


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O advogado Denílson Carvalho e o vereador Luiz Vergara, em depoimento ao Conselho de Ética
O advogado Denílson Carvalho e o vereador Luiz Vergara, em depoimento ao Conselho de Ética
O vereador Luiz Vergara (PSB) prestou depoimento no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, ontem, para explicar o tapa que deu na cara do marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto, durante a sessão do último dia 3. A audiência durou em torno de uma hora. Vergara usou o tempo para atacar e tentar se transformar em vítima no episódio em que o agressor foi ele. Fez pesadas acusações à sua vítima. “Trata-se de um cidadão agressor em série”. 
 
Vergara estava acompanhado dos assessores, do filho e do advogado Denílson Carvalho. Antes de responder às perguntas, fez um pronunciamento de 25 minutos. “É uma oportunidade de esclarecer a população sobre a verdade”. Em seguida, passou a citar desavenças e supostas agressões que Vissotto teria cometido a outras pessoas. “Ele agrediu a tudo e a todos. Impossível colocar em número a quantidade de agressões desferidas por esse cidadão à autoridades”. 
 
Disse que nos momentos que antecederam o tapa, o marceneiro teria dito que ele foi “comprado” ao aceitar ser o líder de Alexandre Ferreira. “Ele me agrediu e perguntou quanto custou, disse que fui comprado. Em seguida, me chamou de ladrão”. Em seguida, Vergara lhe desferiu o tapa e saiu correndo. “Reagi para me defender”, disse.
 
Vergara, que já havia dito que não deu o tapa na condição de vereador, apresentou outra alegação ainda mais inusitada para tentar desqualificar o que as imagens de sua agressão mostraram para todo o Brasil e, até mesmo, fora do País. “O vídeo tem mentiras, ódio.” E foi além. “Jesus está presente aqui hoje para saber a verdade.”
 
Terminado o pronunciamento, o presidente da Comissão, Pastor Otávio (PTB), fez diversas perguntas, entre elas, se as ofensas de Vissotto justificavam a agressão. “Foi a defesa de um homem no limite”, respondeu. O Pastor questionou se Vergara estava arrependido. O vereador não falou em arrependimento e disse que as desculpas foram feitas por meio de nota oficial divulgada na semana passada. Na nota, pediu desculpas ao prefeito, vereadores e cidadãos, mas não fez referências à vítima. No dia dos fatos, afirmou que o marceneiro “teve o que mereceu”. Não negou quando perguntado se agrediria novamente caso volte a ser provocado. “Sou um homem do bem. Acostumado a grandes vitórias.”
 
Jépy Pereira (PSDB) perguntou se Vergara acredita na Justiça ou se a única forma de resolver a desavença com Vissotto seria o agredindo na hora que “vossa excelência sofreu a agressão sendo chamado de ladrão, de pessoas que se vendem”, ao que Vergara respondeu que “a Justiça será buscada. Vou ingressar com 4 ou 5 processos”. 
 
Donizete da Farmácia (PSDB) quis saber se foi a primeira vez que Vergara agrediu alguém como vereador. Depois, antes de perguntar se Vergara estava arrependido, Donizete disse que consultou estudos de psicanálise e constatou que “60, 70% das pessoas ouvidas pelos profissionais agiriam da mesma forma”. “Fui chamado de corrupto e ladrão, e não sou. Não existe outra atitude. Defendo sempre a honra e a instituição”, disse Vergara. 
 
Vergara deixou o plenário após a audiência e se recusou a falar com os jornalistas. Disse que dará uma entrevista coletiva sexta-feira. Pastor Otávio disse que as alegações apresentadas pelo vereador não convenceram. “O vereador precisava ter se contido. A agressão não se justifica em nenhum momento”. Otávio afirmou que supostas agressões que o marceneiro teria cometido, como afirmado por Vergara, não devem ser juntadas ao processo. “O que vamos analisar é a agressão praticada pelo vereador no plenário”. Vissotto será ouvido hoje, às 15 horas.
 

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