Leio no Comércio de domingo, 22março, que a indústria francana de calçados vai reduzir sua produção em 15% neste ano. Isto me fez pensar em dois fatores altamente estratégicos para o desenvolvimento da economia de qualquer nação, aumento da produtividade e novos investimentos. Articulados, obviamente, num ambiente politicamente equilibrado.
Produtividade é a quantidade de produto obtida com a utilização de uma unidade de insumo, isto é, de fatores de produção (capital, mão de obra, recursos naturais). Em economês, é a relação produto/capital, que nos diz quanto de recursos produtivos precisamos mobilizar para obtermos um PIB como o do Brasil. Investimentos atuam na formação e ampliação de capitais.
O aumento da produção numa fábrica, digamos de 100 para 120 ou 150 unidades será obtido a custos crescentes quando não há melhoria de produtividade. No entanto, esse produto pode chegar a 300 ou a 500 se houver investimentos em novas fábricas e se ocorrer aumento na produtividade. Com isso, teríamos produção maior a custos decrescentes. Maior produtividade, menores custos, novos investimentos significam desenvolvimento e progresso.
Os países hoje desenvolvidos passaram, sempre, por um processo de aumento de produtividade. A Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra em meados do século XVIII, catapultou o país à liderança no mundo. Todo o progresso que ali aconteceu (invenções, inovações, fábricas substituindo corporações de oficio) deu aos ingleses a primazia do desenvolvimento. A segunda revolução industrial teve lugar nos Estados Unidos entre o final do século XIX e o inicio do século XX, com nova onda de invenções e inovações: do aspirador de pó ao automóvel de Henry Ford, da luz elétrica de Edison aos filmes de George Eastman. Isto sem falar na siderurgia ou no cinema de Hollywood. Períodos maravilhosos de intensa criatividade e muito progresso. E aqui, onde estão as inovações, os investimentos, o aumento de produtividade? Sumiram?
Vicente P. Oliveira
Economista; FEA-USP
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