O relatório “Água para um Mundo Sustentável”, produzido pelas Nações Unidas e divulgado no dia 20, na Índia, adverte que até o ano 2030 haverá um déficit de 40% no abastecimento de água ao planeta. Diz que, hoje, 748 milhões de pessoas não têm acesso à água potável. Lembra ainda que, com a população cada vez maior, há a necessidade de aumentar a produção de alimentos e isso também consome água. O documento é um alerta para que governos, instituições da sociedade e povo procurem, por todos os meios, preservar a água que ainda existe.
O esvaziamento da Cantareira (SP), o secar das torneiras em áreas da capital paulista e em dezenas de municípios como Itu, por exemplo, também são indicativos da necessidade sobre uma nova postura de consumo da água, que também nos tem faltado para a movimentação das usinas geradoras de eletricidade e até para a navegação fluvial.
Desde que começou a colonização, o homem pouco se preocupou com a preservação da água. Ele instalou sua habitação e negócios na margem do rio, de onde retirou a água para beber e trabalhar, mas não teve o cuidado de manter a fonte limpa. Por irresponsáveis décadas e até centos, jogou seus dejetos no próprio rio, transformando-os em latrina a céu aberto. Os países do primeiro mundo, a duras penas e altos investimentos, nas últimas décadas, limparam seus rios. Mas o Brasil, apesar de estar investindo nisso, ainda encontramos maus exemplos como o Tietê e o Pinheiros (na capital) e uma série de córregos afluentes que recebem todos os despejos de ocupações irregulares. Isso retarda qualquer projeto de tratamento.
É preciso, com toda urgência, atacar o problema hídrico por diferentes segmentos. Os programas de despoluição dos rios têm de ser mais rápidos. A população tem de ser conscientizada a gastar o mínimo indispensável, as companhias e departamentos distribuidores de água têm de atacar sem demora os vazamentos da rede, que consomem até 40% da água captada e tratada. Pouco adianta comemorarmos todos os anos – em 22 de março – o “Dia Mundial da Água” se todos nós, não fizermos a nossa parte para preservar esse recurso indispensável à vida...
Dirceu Cardoso Gonçalves
tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.