Ladeira abaixo


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Qualquer tipo de negociação salarial, seja ela no setor público ou na iniciativa privada, muitas vezes envolve uma série de reuniões entre as partes interessadas, patrões e empregados. Cada um coloca na mesa as suas propostas e busca-se um denominador comum. Se não ocorrer, recorre-se ao dissídio coletivo na Justiça do Trabalho, que pode ou não acatar as argumentações de uma das partes. Acima de tudo, busca-se uma conciliação. É assim em todo o Brasil. Menos em Franca, quando a administração pública se encontra no momento sob o comando do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), um burocrata com espírito autocrata- binômio pra lá de catastrófico em temos de vivência democrática. Assim como no ano passado, o funcionalismo público municipal foi surpreendido por uma manobra do chefe do Executivo, que contou com a anuência dos vereadores de sua base aliada, para empurrar goela abaixo da categoria dos trabalhadores o que a Prefeitura considera ideal, sem que aqueles sejam consultados ou mesmo considerados.
 
Ontem, mais uma vez, a cidade assistiu a mais um episódio que denota a truculência e a falta de habilidade de Alexandre Ferreira (PSDB), com auxílio do seu líder na Câmara, o vereador Luiz Carlos Vergara (PSB). Segundo o Portal GCN, ontem pela manhã Vergara protocolou um requerimento que pedia ao Executivo aumento de R$ 240 para R$ 260 no cartão alimentação dos servidores, índice que está emperrando as negociações salariais da categoria, que pede R$ 400. A ação, como se viu mais tarde, foi uma estratégia da Prefeitura que logo à tarde enviou um projeto em regime de urgência com o mesmo valor apresentado pelo líder do prefeito.
 
O ato irritou os servidores, já que não houve negociação e sim imposição. Centenas de funcionários públicos foram à Câmara para protestar contra o ato, que julgaram autoritário. Mesmo assim, os vereadores, que já haviam aprovado o requerimento de Vergara, também aprovaram o projeto em regime de urgência. As exceções ficaram por conta dos parlamentares Márcio do Flórida (PT), Valéria Marson (PSDB) e Daniel Radaeli (PMDB). Caso o prefeito Alexandre Ferreira não fosse um funcionário de carreira, talvez pudéssemos entender suas razões. Ele só ocupa o principal gabinete do Paço Municipal por causa do seu mentor (e antecessor) Sidnei Rocha, que o carregou nas costas durante a campanha eleitoral, garantindo que o pupilo teria a competência que os anos se encarregariam de provar inexistente.
 
Nos dois últimos anos, o prefeito tem se notabilizado por não ouvir aqueles que realmente fazem a administração andar. A situação se repete com uma participação vergonhosa dos vereadores que apenas se preocupam em aprovar tudo o que Alexandre manda para o Legislativo, sem levar em consideração o interesse dos envolvidos. O ‘passa moleque’ do prefeito, que não apresenta qualquer justificativa àqueles que deveria defender, é mais um episódio triste (e baixo) da recente política francana. A cidade já está de saco cheio de acompanhar este tipo de situação e saberá dar uma resposta exemplar não só ao prefeito como aos vereadores ‘vaquinhas de presépio’ nas eleições do ano que vem.
 
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