Comerciantes da região central pedem volta das vagas de estacionamento


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Foto feita na tarde da última sexta-feira, dia 20, mostra o calçadão da rua do Comércio, no Centro de Franca, praticamente vazio
Foto feita na tarde da última sexta-feira, dia 20, mostra o calçadão da rua do Comércio, no Centro de Franca, praticamente vazio
Depois de mais de um ano da extinção de 329 vagas no Centro de Franca, comerciantes instalados nas áreas afetadas clamam por ajuda da Prefeitura. Com a crise econômica instaurada no país, as vendas frearam e muitos lojistas temem o fechamento de mais postos de trabalho e até o encerramento das atividades.
 
“Estamos pedindo, por favor, para que o prefeito seja humano e faça alguma coisa em prol do Centro da cidade”, disse o empresário Mário Junqueira. Proprietário da Junques Calçados, ele possui cinco unidades na cidade, mas pensa em fechar uma delas caso a situação não melhore. “Acredito que com o retorno das vagas, os consumidores retornarão. Hoje as pessoas desistem de comprar no Centro, porque não encontram onde parar e ninguém quer pagar estacionamento”, completou.
 
Na época do corte das vagas, a Prefeitura alegou que a decisão visava melhorar o fluxo de veículos, incluindo ambulância e caminhões de lixo, além de diminuir a violência no trânsito diante do crescimento da frota da cidade.
 
Junqueira diz que a intenção não surtiu efeito e reclama da queda no movimento de clientes, principalmente no intervalo da proibição de estacionamento, das 9 às 16 horas. “As ruas estão vazias. É lógico que sabemos da situação econômica do país, mas em Franca ela acaba agravada pela falta das vagas.”
 
A reivindicação de Junqueira também é compartilhada pelo comerciante Francisco Dimas de Almeida, o Polaco. Para ele, o retorno das vagas pode refletir em mais clientes e, consequentemente, salvar funcionários da demissão. Polaco revela que tem reduzido seu quadro de colaboradores aos poucos, pois não encontra outra saída. “Estamos sem incentivo, com o astral baixo. Não fazemos investimento, pois não há retorno. As pessoas deixaram de vir ao Centro”, disse o comerciante, proprietário de duas lojas Portal das Joias.
 
Do ramo do vestuário, Tiago Rafael Finzetto, da Santa Veste, engrossa o coro de reclamações e diz que, apesar das economias internas, a redução financeira tem sido drástica mês após mês. Segundo ele, o retorno das vagas pode amenizar a crise e trazer novo ânimo aos comerciantes do Centro.
 
Desde que as vagas foram retiradas, os comerciantes afetados buscaram apoio junto à Câmara Municipal e à Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) para convencer a administração municipal de rever a situação, mas todo movimento foi em vão e a medida continua valendo.
 
“A situação está no limite, a arrecadação caiu e, por isso, estamos clamando por socorro”, disse Junqueira, que nesse período já demitiu 15 dos 90 colaboradores.
 
O presidente da Acif, José Alexandre Carmo Jorge, diz que a questão não foi abandonada e uma ação contra a Prefeitura corre na Justiça, pedindo o retorno das vagas. “Estamos preocupados, queremos as vagas, mas precisamos aguardar o desfecho. Em relação à queda nas vendas, trata-se mais de um problema geral, que assola não só o Centro ou Franca, mas o Brasil inteiro”, afirmou Carmo jorge.
 
O outro lado
A Prefeitura de Franca, por meio do secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, também responsável pelo trânsito da cidade, disse que não há estudos para o retorno das vagas de estacionamento no Centro da cidade. Segundo ele, a volta das vagas seria “um retrocesso” diante do crescimento da cidade. “Franca está crescendo e não pode retroagir. A baixa nas vendas não está relacionada à falta de vagas e, sim, à crise que estamos passando”, disse.
 
A extinção de vagas no Centro ocorreu em agosto de 2013 e virou polêmica na cidade. Enquanto alguns comerciantes protestavam, outros usaram a falta de vagas como oportunidade de negócio. Na rua Ouvidor Freire, um estacionamento vertical foi construído com 160 vagas em dois pisos e foi inaugurado em dezembro passado.

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