Alexandre e Câmara atropelam negociações e impõem reajuste mínimo


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Após aprovação do projeto imposto pelo prefeito Alexandre Ferreira, população que acompanhava a sessão deu as costas aos vereadores
Após aprovação do projeto imposto pelo prefeito Alexandre Ferreira, população que acompanhava a sessão deu as costas aos vereadores
Um plano arquitetado pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), com a participação especial de seu líder, Luiz Vergara (PSB), e com a conivência dos vereadores da base aliada, atropelou as negociações salariais entre o governo e os servidores públicos. Sem que as partes chegassem a um acordo, o prefeito encaminhou projeto em regime de urgência para a Câmara, fixando da maneira como quis a revisão dos vencimentos da categoria. Apesar dos protestos contrários dos trabalhadores, os valores impostos foram aprovados pelo plenário. A maneira unilateral que Alexandre encontrou para tentar acabar com a conversa, acirrou o ânimo dos servidores. A possibilidade de greve ganha força e eles prometem levar a briga para a Justiça.
 
No sábado, os servidores entraram em estado de greve por causa da recusa da Prefeitura em aumentar o valor do vale alimentação. A categoria começou as negociações pedindo R$ 550 e concordou em reduzir para R$ 400. O prefeito insistiu em manter os atuais R$ 240. “Não falta boa vontade à administração, mas sim recursos. A Prefeitura chegou ao seu limite”, afirmou Luiz Vergara, na semana passada. Mesmo tendo condições legais de entrar em greve a partir desta quarta-feira, a categoria decidiu esperar uma eventual proposta de Alexandre antes de cruzar os braços. 
 
A decisão do prefeito já estava tomada. No lugar de negociação, imposição. O primeiro indício de que Alexandre pretendia “passar o trator” nas conversas com os servidores foi dado na manhã de ontem. O mesmo Luiz Vergara, que havia dito quatro dias antes que a Prefeitura havia atingido o seu limite, apresentou um requerimento propondo que o vale alimentação fosse reajustado para R$ 260.
 
A sugestão, na verdade, foi uma encenação do vereador combinada com Alexandre. O projeto fixando o valor já estava pronto, tanto é que deu entrada na Câmara pouco depois. Um grupo de servidores do município concluiu que estava diante de uma tentativa de rasteira e foi ao plenário protestar. Ganharam o apoio de professores do Estado, que também se manifestavam no local.
 
A bancada governista não deu ouvidos aos trabalhadores. O vereador Márcio do Flórida pediu, em vão, o adiamento do projeto por uma semana. Numa segunda tentativa, o petista e Valéria Marson (PSDB), que integram a Comissão de Finanças e Orçamento, elaboraram um parecer contrário à proposta. Como a Comissão não decide, apenas opina, foram ignorados.
 
O projeto foi levado à votação e aprovado com dez votos favoráveis e apenas três contrários, de Márcio do Flórida, Valéria e Daniel Radaeli (PMDB). O presidente Marco Garcia (PPS) só votaria em caso de desempate e Nirley de Souza (DEM) não participou da sessão por causa de uma cirurgia. A base aliada de Alexandre usou a estratégia do silêncio e ninguém abriu a boca para fazer a defesa.
 
‘O Alexandre é fraco’
Os servidores, alguns com nariz de palhaço, gritaram vergonha e se viraram de costas para os vereadores. “O prefeito não tem qualidade para sentar numa mesa e negociar. Ele atropelou as negociações e desrespeitou os servidores. O Alexandre é fraco e não tem condições de estar à frente da Prefeitura. Também estamos indignados com o Vergara. Não entendemos como um sindicalista é capaz de fazer uma manobra desrespeitosa ao trabalhador como essa”, afirmou Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais.
 
A entidade disse que não aceitará o valor imposto e que insistirá em conversar para tentar aumentar o valor. “Vamos fazer uma assembleia, no sábado, para decidir se entraremos em greve. Estamos dispostos a ir para o dissídio. Com certeza, a briga vai parar na Justiça”, concluiu o presidente. O encontro está marcado para as 10 horas, no Teatro “Judas Iscariotes”.

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