Cerca de 80 pessoas, dentre professores e alunos da rede pública estadual, participaram de ato na porta da Diretoria de Ensino de Franca na manhã de ontem. A manifestação aconteceu uma semana depois do início da paralisação, no dia 16 de março. Segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), cerca de 50% dos educadores da rede estadual da cidade estavam de braços cruzados ontem.
“A princípio organizamos para reunir os professores, mas tivemos esse acolhimento dos alunos. O intuito de fazermos esse movimento aqui hoje é para dar visibilidade para a greve”, disse o coordenador da subsede da Apeoesp de Franca, Sílvio Carlos Damasceno.
O ato teve início por volta das 9 horas e interditou parte da rua Benedito Maníglia, na Vila Chico Júlio, em frente à Diretoria de Ensino. Os manifestantes usaram um carro de som para divulgar suas reivindicações, além de exporem suas indignações em cartazes. Uma das placas dizia “Será que alguém vai rasgar meu cartaz hoje?”, se referindo a uma suposta atitude do diretor de ensino substituto de Franca, Hugo Tasso, que teria rasgado materiais de greve.
Segundo o sindicato, na última quinta-feira, 19, Tasso chegou a esfregar um cartaz sobre a greve no rosto da vice-diretora da escola “Otávio Martins de Souza”. “Na hora, alunos, pais e professores viram a atitude dele. Ele esfregou o cartaz no rosto dela e disse: ‘Isso aqui era você quem deveria estar fazendo’ (arrancando o cartaz). Falamos pra ela ir na polícia, mas ela está com medo de sofrer represálias se registrar o boletim de ocorrência”, disse o vice-coordenador da subsede de Franca da Apeoesp, Carlos Eduardo Rogério.
Uma carta de repúdio ao suposto ato de Tasso também foi divulgada pelo sindicato. “Não é possível que o senhor Hugo esteja há tanto tempo afastado das salas de aula que não se lembra que na escola deve ser ensinada a tolerância e o combate a qualquer tipo de opressão, seja ela de gênero ou classe. Repudiamos esse ato de agressão, assédio e machismo! Exigimos que o agressor responda por seus atos e se justifique e se desculpe frente à comunidade”, diz parte do texto.
Um grupo de professores também colheu assinaturas para um abaixo-assinado contra o suposto assédio moral sofrido pela categoria. “Nossa intenção é mostrar a indignação das pessoas ao fato da gente não estar podendo fazer greve e sofrer repressão por conta da paralisação. Estamos fazendo essa movimentação para que o governo nos ouça também, pois ele não está abrindo margem para negociação”, disse um professor que não quis ter o nome divulgado. Ele relatou ainda que o documento será encaminhado à Apeoesp e ao governo do Estado.
A reportagem do Comércio esteve na Diretoria de Ensino, mas Hugo Tasso se recusou a conversar com a equipe. Procurada por e-mail, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação disse, por nota, “que não procedem as informações sobre a Escola Estadual ‘Otávio Martins de Souza’. A administração regional está à disposição da vice-diretora da unidade para esclarecer os fatos”.
Câmara
Durante a manifestação de ontem, os professores agendaram um novo ato para ser realizado na sessão da Câmara de Vereadores de Franca de hoje. O vereador Márcio do Flórida (PT) também deve colocar em votação, em regime de urgência, uma moção de apoio à greve dos professores e outra de protesto em relação às repressões que os docentes estariam sofrendo.
“Hoje a população clama pelo direito de se manifestar, colar cartazes, falar com os colegas. Não podemos aceitar que fatos como esses aconteçam durante uma manifestação legítima, que é o caso da greve dos professores”, disse Márcio.
A categoria reivindica aumento salarial de 75,33%, conversão do bônus em reajuste salarial, aumento do vale alimentação e do vale transporte, garantia de direitos para professores temporários e convocação dos aprovados nos concursos.
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