Conhecido no setor de veículos, corretor não despertava suspeitas


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A figura do corretor de veículos era vista com frequência nos estabelecimentos do setor. Todos os empresários com quem o Comércio conversou relataram que vários negócios foram fechados com o corretor sem apresentar nenhum histórico de problemas, o que só começou no segundo semestre de 2013.
 
“Acho que ele começou a se endividar e a vender um carro para pagar a dívida de outro”, disse José Marcos Ferreira, dono do estacionamento BH Veículos. Ele próprio teve um prejuízo de R$ 45 mil em cheques devolvidos a partir de compras e vendas intermediadas pelo corretor. BH, como é conhecido, preferiu não registrar ocorrência na polícia, “porque não adiantaria processar” o acusado. 
 
Segundo o advogado do pequeno empresário Cláudio César Ferreira, em 2014, após um pedido feito pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, a Justiça concedeu internação do corretor no Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”. A direção da unidade confirmou à reportagem que ele passou 20 dias sob observação, mas não forneceu nenhuma outra informação.
 
Em sua petição, a Defensoria teria justificado a necessidade da internação, a partir de um laudo apontando bipolaridade. A família também pediu que fosse reconhecida a incapacidade do corretor, o que foi negado.
 
Para o advogado, que pediu para não ser identificado, a medida é uma manobra do corretor e de sua família para eximi-lo de responsabilidades na Justiça.
 
Na polícia
Entre os registros contra o corretor aos quais o Comércio teve acesso, apenas um, referente ao Gol do comerciante Cláudio Ferreira, foi informado como furto. Ainda assim, segundo seu advogado, ele teria sido advertido pelo delegado responsável a mudar a natureza da denúncia para “desacordo comercial”, sob pena de falsa comunicação de crime.
 
Os demais foram preenchidos como apropriação indébita e estelionato. O jornal procurou conversar com o delegado Leopoldo Gomes Novais, do 3º DP, com dois registros feitos, que sugeriu à reportagem procurar informações sobre os casos junto à Delegacia Seccional.
 
Lá, o delegado assistente Daniel Radaeli, disse que precisaria tomar mais conhecimento dos casos para dar uma opinião. De antemão, afirmou que a comprovação de estelionato é difícil de ser apurada.
 
Outro delegado, que pediu anonimato, defendeu o posicionamento de alguns colegas, para quem é difícil enquadrar os casos no crime de furto. “Como você vai dizer a um juiz que alguém furtou seu carro, se ele pegou as chaves e os documentos da sua mão?”, questionou. “Fica a lição na hora de comprar e vender um veículo. Um pouco de cautela evita muita dor de cabeça.”
 
 

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