Vendedor de carros dá golpe em 30 vítimas


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Pessoas físicas e estacionamentos de veículos se dizem vítimas do corretor acusado de dar golpes na negociação de carros
Pessoas físicas e estacionamentos de veículos se dizem vítimas do corretor acusado de dar golpes na negociação de carros
Um corretor de veículos é suspeito de aplicar golpes em dezenas de pessoas e empresas de Franca. O número total de vítimas é desconhecido, já que nem todos registraram o caso, mas segundo uma fonte de dentro da Polícia Civil, o número pode passar de 30 estacionamentos e pessoas físicas lesadas. O valor do prejuízo também não é contabilizado. Mas somente em quatro casos ouvidos pelo Comércio, chega perto de R$ 100 mil.
 
O acusado é conhecido de grande parte das pessoas que se dizem lesadas por ele. Ex-proprietário de um estacionamento na avenida Orlando Dompieri, após se desfazer do negócio, entre 2012 e 2013, passou a trabalhar como corretor de veículos. Basicamente, sua função era conseguir compradores interessados nos modelos que as garagens de Franca estavam oferecendo. Como atuou no mercado durante anos, não apenas era conhecido como gozava da confiança de muitos comerciantes do setor.
 
A reportagem obteve seis boletins de ocorrência feitos em diferentes distritos policiais de Franca contra o acusado. Onze estacionamentos também foram procurados pelo Comércio e todos indicaram ter tido prejuízo com o golpista. 
 
Seu modo de operação, de acordo com o advogado de uma das vítimas, não se resumia às garagens apenas. De posse de anúncios feitos por pessoas querendo vender carros ou motos, o acusado se passava por interessado em adquirir o veículo, marcava um local para sua retirada e nunca mais aparecia.
 
No dia 25 de fevereiro do ano passado, o pequeno empresário Cláudio César Ferreira entregou um Gol que possuía, avaliado em R$ 15 mil, para que o corretor o vendesse. Segundo Ferreira, durante cinco dias ele ligou para o acusado, que não atendia ao telefone. Depois, o corretor prometeu devolver o carro, o que não aconteceu.
 
Ferreira então descobriu que o veículo estava em um estacionamento de carros usados, onde o dono já havia adiantado 50% do valor pedido e estava aguardando que os documentos do Gol fossem entregues para pagar a outra metade. Nesse caso, como o carro foi recuperado, o prejuízo ficou para a garagem.
 
Poucos dias mais tarde, o corretor levou um Ford Ka 2000, avaliado em R$ 10 mil, também de Cláudio Ferreira, com a alegação de que queria fazer um teste. Depois de dizer que havia conseguido vender o carro, o valor foi depositado na conta do empresário na forma de uma transferência bancária (TED) feita por um posto de gasolina, em Franca.
 
O dinheiro depositado na conta de Ferreira era parte do valor de um carro vendido ao posto, que nunca foi entregue. O Ka desapareceu. Com isso, a empresa de combustíveis acionou Cláudio Ferreira na Justiça como partícipe do golpe cometido pelo corretor. A sentença, emitida neste ano, condena o comerciante a devolver os R$ 10 mil recebidos ao posto de gasolina.
 
Um pouco constrangido, Cláudio Ferreira disse que deveria ter se precavido mais e tomado cuidados, mas que por conhecer o corretor, não viu problema em deixar que ele levasse seus carros. “Ele era conhecido de todo mundo aqui. Trabalhava com essas garagens e não era alguém que apareceu de um dia para outro”, disse Ferreira. “Deveria ter me precavido mais, vendido para uma garagem. Eu perderia um pouco, mas seria um dinheiro limpo.”
 
Mais vítimas
O Gol 2007, pertencente ao pedreiro Júnio César Freitas, 24, cujo valor de mercado era de R$ 17 mil, é outro veículo que o corretor pegou para negociar e nunca mais deu satisfação. Neste caso, o negócio foi feito dentro do estacionamento que pertencia do acusado. 
 
Freitas disse que a negociação, feita em junho de 2013, resultou num sinal de R$ 5 mil e a promessa de que pagaria o restante quando o veículo fosse vendido. O pedreiro entregou o carro, proveniente de uma carta de crédito e usado para trabalhar, com toda a documentação. “Ele levava a gente na conversa, na lábia. Fui enrolado durante quase um ano, período em que perdi minha mãe”, disse. “Ele deu golpe só em gente pobre”, completou. Nunca mais Freitas viu seu carro, teve pago o restante do valor negociado ou encontrou o corretor novamente. O boletim de ocorrência foi registrado no 3º Distrito Policial de Franca como apropriação indébita.
 
Outra vítima é Giovana Karen Costa dos Santos, 33. Na época em que denunciou o corretor à polícia, ela trabalhava para um estacionamento localizado também na avenida Orlando Dompiere. O corretor teria entrado na garagem, tirado um Celta, ano 2001, e levado o veículo para um feirão de carros usados. O carro foi vendido e pago à vista. Como o dinheiro nunca foi repassado e o carro devolvido, Giovana resolveu registrar o caso na polícia. 
 
Ela disse ainda que o acusado tirou três carros de dentro do estacionamento sem autorização, aproveitando-se do descuido de funcionários. É comum as chaves dos veículos ficarem todas juntas na garagem, o que teria facilitado a ação. “Ele simplesmente pagava as chaves, ligava os carros e saía. Meu prejuízo foi de mais R$ 45 mil”, afirmou.
 
Em uma loja de motos novas e usadas, na avenida Presidente Vargas, negócios feitos com o corretor também resultaram em cheques sem fundos. O local transformou-se em um ponto improvisado para onde iam todos os envolvidos nos golpes discutir que medidas tomar. Um dos sócios, que não quis revelar o nome, afirmou que o prejuízo não foi tão grande, mas serviu de lição. “Hoje não trabalho mais com corretor individual, apenas com garagistas. O setor já está muito difícil para ficar tomando calote e prejuízo”, disse. Ele não procurou a polícia para apresentar queixa.
 
A reportagem tentou localizar o acusado em Franca. Ele já não mora mais no endereço passado por suas vítimas. Também foi procurado no pequeno negócio que a família mantém na região da Estação, mas não foi achado.
 
 

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