Ao mesmo tempo em que o Datafolha apura que o governo federal acumula 62% de péssimo e ruim e que esse item da pesquisa se elevou em 18 pontos percentuais do começo de fevereiro até o presente, circula entre ministros, dirigentes do PT e assessores do ex-presidente Lula documento produzido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, afirmando que os apoiadores de Dilma estão levando uma “goleada” da oposição nas redes sociais e apontando como saída para reverter o quadro um investimento maciço em publicidade oficial em São Paulo, onde é grande a rejeição ao PT. A peça também admite que o pais passa por um caos político e que “não será fácil virar o jogo”. Cita que em recente pesquisa do Ibope, feita a pedido do Palácio do Planalto, 32% dos entrevistados disseram ter mudado de opinião negativamente sobre o governo nos últimos seis meses, das eleições até agora.
O momento é de impasse e solidão da presidente da República. Sua discutível política econômica somada ao marketing de campanha lhe garantiu a reeleição. Mas, pressionada, teve de adotar medidas amargas e quebrar, mesmo antes de começar o segundo mandato, as promessas que fez em campanha. Os trabalhadores, empresariado e até os membros do seu próprio partido ficaram contra. A oposição explorou as mentiras eleitorais e a população reagiu. E, para complicar ainda mais o quadro, aí estão as apurações da corrupção, que envolvem governo, congressistas, políticos e fornecedores oficiais.
O PT e a própria Dilma Russeff, chegados ao poder com o discurso moralista da anticorrupção e da evolução social, sofrem com o mesmo veneno que, quando na oposição, inocularam em seus adversários. Apesar de toda a propaganda oficial, vemos problemas gravíssimos com a Saúde, a Educação, a Segurança Pública e outros serviços básicos que constituem direitos básicos da população. Dilma precisa resolver depressa as questões de fluidez da maquina. Também tem de encontrar e implementar o pacto possível com o empresariado, único gerador do desenvolvimento, para garantir a volta do funcionamento normal da economia. Se não o fizer, seu governo correrá o risco de cair (de podre ou por ineficiência). Governe, presidente!!!
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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