Com gritos de “greve, greve, greve”, acompanhados de muitas palmas, os servidores municipais de Franca decretaram estado de greve na manhã deste sábado, 21, durante assembleia na Câmara Municipal. A decisão foi unânime entre todos os presentes que lotaram o plenário e manifestaram a insatisfação com a administração do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e intransigência nas negociações salariais com a categoria. Ao mesmo tempo, em evento com o ministro da Cidades, Gilberto Kassab (PSD), o prefeito minimizou o estado de greve. Alexandre disse que não vai ceder e que se for preciso irá resolver a situação no Tribunal, com o dissídio coletivo. “A Prefeitura não tem dinheiro para atender as reivindicações”, disse o tucano. No ano passado, os servidores realizaram greve geral de oitos dias e só retornaram ao trabalho após acordo no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em Campinas.
Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Franca, Luís Fernando Nascimento, com o estado de greve decretado os servidores podem, legalmente, paralisar as atividades após um prazo de 72 horas. Assim, a categoria deve cruzar os braços a partir de quarta-feira. “Ainda vamos propor uma negociação com a Prefeitura, tentar uma melhoria. Se não tiver um retorno, fazemos uma nova assembleia e começamos a greve”.
Segundo o sindicato, 370 pessoas assinaram a lista de presença na assembleia deste sábado, mas mais servidores participaram do encontro. A votação que culminou com o estado de greve aconteceu após Nascimento tirar dúvidas dos presentes e apresentar a proposta da Prefeitura para as reivindicações da categoria. Os servidores levaram apitos e durante a fala do presidente do sindicato se manifestavam, com aplausos e gritos.
Travadas
As conversas do sindicato com a Prefeitura estão travadas. Desde o início foram feitas três rodadas de negociação. A proposta inicial dos servidores pedia, entre outras reivindicações, 15% de aumento (a reposição inflacionária do período mais 8% de aumento real), abono escolar de R$ 276 e cartão alimentação no valor de R$ 550. A Prefeitura descartou os pedidos e insistiu na concessão de apenas a reposição inflacionária de 7,68% (com base no INPC - Índice Nacional de Preços ao Consumidor) sobre os salários, além de fixar o abono escolar no valor de R$ 231. Em relação ao cartão alimentação, nenhum reajuste.
Nas negociações seguintes, os servidores aceitaram abrir mão dos 15% e concordaram em ficar apenas com a reposição inflacionária sobre os salários. Também concordaram com o valor do abono escolar. Pediram, então, que pelo menos o cartão alimentação fosse reajustado para R$ 400, abrindo mão dos R$ 550 inicialmente pedidos. O recuo dos servidores em relação aos valores pedidos inicialmente não sensibilizou a Prefeitura, que insiste em sua primeira proposta. Alega dificuldades financeiras e se recusa a aumentar o cartão.
Irritados, os servidores decidiram pelo estado de greve. “Não dá para negociar. Gostaria de dar o aumento, mas não consigo. Estamos cumprindo a inflação e não tem cabimento dar os 15%. Não tem chance. Pode ir para o dissídio, não tem nenhum problema, pois não temos dinheiro”, disse o prefeito ontem pela manhã, aparentemente ignorando o fato dos servidores já terem aceitado o índice de 7,68% de reajuste proposto pela Prefeitura e reivindicarem apenas aumento no valor do cartão alimentação.
Para Luís Nascimento, a Prefeitura está irredutível e escondendo a real situação financeira. “Não vemos essa dureza, pois a Prefeitura tem dinheiro em caixa. A folha de pagamento está em 48%, portanto há como conceder o aumento. O prefeito não está valorizando os servidores e eles estão mobilizados e dispostos a brigar pelos seus direitos”.
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