Nada justifica a violência. Nem agressão verbal, como alega em sua pretensão de defesa o vereador Luiz Vergara, que desferiu uma bofetada na cara de um munícipe, por tê-lo inquirido a respeito de mudança de casaca, no plenário da Câmara Municipal de Franca. Se o vereador tivesse mesmo sido agredido em sua moral — o que testemunhas que acompanharam o imbróglio na Câmara negam —, que reunisse provas e acionasse o marceneiro Hélio Vissoto por via judicial. A agressão covarde (depois do tapa Vergara saiu correndo) foi registrada pelo fotógrafo Dirceu Garcia, do Grupo GCN (que publica este Comércio), e não deixa dúvidas do que aconteceu. Mesmo assim, o cheiro de pizza já começa a emanar lá pelos lados do Jardim América, onde o Legislativo francano está instalado.
As desculpas que Vergara pediu, através de nota distribuída pela assessoria da Câmara, não foram dirigidas a quem deveria recebê-las, o agredido. O vereador pede compreensão a algo para o qual não há justificativa plausível. Ao impedir que a imprensa registre as reuniões, o Conselho de Ética do Legislativo deixa bem claro que deverá agir como em outras ocasiões: tentará criar o mínimo desconforto ao vereador, deixando a cidade mais uma vez de boca aberta, estarrecida com a desfaçatez com que é tratada pelos membros daquela Casa. Hoje, o eleitor francano já demonstra total descontentamento não apenas com o Poder Executivo. A Câmara de Vereadores é alvo de reclamações, protestos e críticas, principalmente por não se pautar pelo interesse coletivo e priorizar o individual.
Assim como em Brasília, onde leis são aprovadas com deputados e senadores vislumbrando o seu próprio futuro, os vereadores de Franca pensam em si. Buscam dar prioridade aos interesses próprios, enquanto a população sai às ruas para protestar contra a corrupção, o corporativismo e benefícios a que os trabalhadores comuns não têm direito. O Conselho de Ética da Câmara não tem legitimidade, pelo menos moral, para julgar Vergara e determinar uma pena menor do que a perda de mandato por falta de decoro parlamentar. Os três membros deveriam ter se declarado impedidos de julgar o colega e abrir espaço para alguém que não tenha compromisso com a imoralidade.
Tanto o presidente do Conselho, Pastor Otávio (PTB), quanto seus colegas, Jepy Pereira e Donizete da Farmácia (PSDB), não têm condições de julgar quem quer que seja por causa de um requisito básico: isenção. Ao fechar as reuniões para a imprensa deixam bastante claro que pretendem facilitar ao máximo as coisas para Luiz Vergara. Qualquer decisão que tomarem, já se vê de antemão, será apenas um jogo de cena. Mais de quinze dias após a agressão, a Câmara busca aparentar uma normalidade que não é real. Ao transformar o processo em mais uma pizza, o Conselho de Ética pode provocar reações dos eleitores, que já demonstraram não concordar com o corporativismo existente no Legislativo. Dependendo do resultado, as urnas saberão mostrar, no ano que vem, o que pensam os eleitores francanos a respeito do posicionamento dos vereadores não apenas nesta, mas também em diversas outras questões.
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