O vereador Luiz Vergara (PSB) sofreu golpe, ontem, no sentido de tentar evitar que jornalistas e a população em geral tenham acesso às informações e teor dos depoimentos dados ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, onde é investigado por ter dado um tapa na cara de eleitor dentro do plenário. As procuradoras da Câmara concluíram que não cabe sigilo no caso.
Na terça-feira, 17, Vergara ingressou com pedido para que apenas “os servidores designados e os interessados e legitimados pelo nobre presidente” possam ter acesso às apurações feitas contra ele pelo Conselho de Ética. A medida, segundo ele, é para preservar e garantir os trabalhos da comissão, “considerando o interesse público”.
Por meio de nota enviada pela assessoria de comunicação da Câmara, o vereador Pastor Otávio (PTB), que presidente o Conselho, informou que Vergara não obteve êxito. “Encaminhamos o pedido ao Departamento Jurídico, que fez parecer no sentido de que não cabe sigilo, que só é aplicado quando há algum risco à família do envolvido ou interesse público. E o interesse agora é no sentido de esclarecimento com o trabalho que estamos fazendo.”
Mesmo com a negativa do jurídico, Pastor Otávio disse que vai “deliberar” a decisão com os outros membros do Conselho, Jépy Pereira e Donizete da Farmácia, ambos do PSDB.
Na mesma nota, a Câmara informou que o depoimento do vereador ao Conselho de Ética, marcado para quarta-feira, foi antecipado das 16 para as 10 horas, a pedido do vereador. Ele já deveria ter sido ouvido na última quarta-feira, mas sua defesa pediu a transferência.
O tapa na cara do eleitor tem gerado popularidade indesejada a Vergara. A agressão teve repercussão em nível nacional e, até mesmo, fora do País. Na manifestação de domingo, o nome do vereador foi exibido em meio a cartazes que pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Quarta-feira, ele foi vaiado e ironizado por servidores públicos do município, que não engolem o fato de o ex-sindicalista se aliar ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB).
Mas, não é tudo. O vereador acaba de ganhar uma página de sátira no Facebook com o nome “que Vergara, seu vergonha”. O perfil traz montagens bem humoradas, quadrinhos, charges e o “jornal da vergonha” relativos ao episódio da agressão. A foto de topo é o cartaz colado na entrada da Prefeitura durante os protestos feitos pelos servidores quarta-feira. Até a tarde de ontem, quase 300 pessoas já haviam curtido a página.



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