Carregadinho de buquês de flores brancas, o arbusto à frente da casa inglesa parece dar as boas-vindas a quem chega ou passa em frente à residência da qual compõe a paisagem. Aquele jardim, tão logo entrou o Inverno, sofreu profundas alterações: do solo foram retiradas as plantas cujas flores alegraram as estações anteriores. Cobriram-no com adubo cinza; cortaram todos os galhos de roseiras e camélias; árvores foram depenadas: a terra dormiria por três meses. Veio a neve e cobriu tudo. A se julgar pela superfície, o solo parecia morto mas, ao invés, dormia profundamente. Seu interior, vivo e resistente, como que grávido, abrigava promessas de vida das raízes, sementes e bulbos. Três meses. De repente, pequenino broto de grama verdinho irrompe e colore o chão escuro. Busca o Sol. O pequeno ser indica o despertar do solo, revela que a Primavera se aproxima. No dia seguinte, mil pontas verdinhas surgem do solo. Em pouco tempo, estarão por toda parte. As pessoas começam a replantar em seus jardins e quintais. E logo as flores voltam a alegrar olhos e a vida de todos. 21 de março, começou a Primavera no Hemisfério Norte.
Lúcia H. M. Brigagão
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