O verão se vai.
Puxa de leve a
maçaneta da porta do tempo,
tentando evitar que entrem
os impetuosos ventos do outono.
As árvores preparam-se
para despir-se escancaradamente
ante um sol que se mostra e se esconde.
Peço ao outono
que chegue rápido em mim
e derrube tantas folhas secas.
Folhas mortas de tristezas e
de saudades que ainda
insistem em roubar-me a seiva.
Anseio passar
pelo crisol dolorido
do outono que elimina
tudo quanto já não
conjuga o verbo viver.
Esperarei o inverno
em que meu coração
enrugado e chocho
qual espiga de milho mal granada
se penitenciará
dos amores não amados
Ronaldo Silva, vendedor, universitário
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