O Brasil foi à rua


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O final de semana foi de manifestações em todo o Brasil. Na sexta-feira, CUT, MST e PT convocaram seus militantes para a rua. Foi uma manifestação “chapa-branca” de “defesa envergonhada” do governo Dilma Rousseff. Para os organizadores foram 153 mil participantes em todo Brasil, enquanto que a PM não registrou mais do que 33 mil. A cor vermelha e o aparato de apoio deram a unidade à manifestação. No mais, a defesa da Petrobras seguiu a linha governista e petista, insustentável, como se sabe. Não faltaram críticas ao programa de ajustes do governo, comandado pelo ministro, Joaquim Levy. Resultado: o governo mostra-se dividido em Palácio e nas ruas. Mau sinal, para o País. O ponto positivo: não houve violência. Depois de manifestações sempre encerradas pelo protagonismo dos black-blocs, as ruas voltaram a ganhar civilidade. 
 
No domingo, a população desceu novamente para o asfalto. Eram milhares, senão milhões, não havendo muita discrepância nos números. O dado positivo também se repetiu: os brasileiros se manifestaram outra vez sem violência, na paz! E sem partidos ou sindicatos no front organizativo. As manifestações tiveram um foco claro: eram contra o governo Dilma, contra a corrupção, por democracia e por melhorias na vida do povo. É natural numa democracia que existam protestos de massa contra o governo. Deve-se destacar também o antipetismo dos manifestantes como outro elemento unificador do discurso. Depois de domingo, o PT perdeu o monopólio das ruas.
 
A exitosa manifestação de domingo foi organizada, garantiu o espirito pluralista e ampliou-se por todos os extratos sociais, desmontando a tese de elitismo do movimento. Daí ser equivocado interpretar que dela participaram apenas os que não haviam votado em Dilma na última eleição. Falar que se quer um terceiro-turno é bobagem. A manifestação foi em defesa da democracia. Precisa continuar e aprimorar os eixos do seu discurso. Intervenção militar ou mudança da Constituição para realizar o impeachment são proposições golpistas que devem ser afastadas. Não é um novo movimento de caras-pintadas, como em 1992, e tampouco uma nova Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, como em 1964. O que se está fazendo é história nova, incerta e aberta.
 
Alberto Aggio
Professor de História da Unesp/Franca

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