Vergara pede desculpas através da assessoria; menos à vítima


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Luiz Vergara deu um tapa na cara do marceneiro Hélio Vissotto, durante a sessão do último dia 3
Luiz Vergara deu um tapa na cara do marceneiro Hélio Vissotto, durante a sessão do último dia 3
Nos últimos 16 dias muitas coisas aconteceram: milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo federal, a Francana colecionou derrotas, o comendador morreu na novela Império e o ministro da Educação, Cid Gomes, caiu após bater boca com deputados na Câmara Federal. Dezesseis dias, este foi o tempo que demorou para o vereador Luiz Vergara (PSB) pedir desculpas por ter dado um tapa na cara de um eleitor dentro do plenário. Mas, ele não deu “a cara a tapa”. Preferiu divulgar uma nota por meio da assessoria de comunicação da Câmara. À vítima da agressão, ele não se retratou. Também não anunciou nenhuma atitude prática: continua vereador, líder do prefeito e quer sigilo na investigação aberta contra ele pelos vereadores.
 
No texto enviado ontem às redações de jornais, rádios e TVs, Vergara diz que vem a público manifestar seu “sentimento de pesar” em relação ao episódio. O nome do marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto, o cidadão agredido, não foi citado no pedido de desculpas. 
 
O vereador alega que ele se excedeu com um cidadão que “extrapolou” em seu direito de crítica à postura política, fazendo ofensas de cunho pessoal a ele. “O vereador se sentiu extremamente ofendido por ter sua honra, história e família denegridas e difamadas de maneira mentirosa e com a expressa intenção de maldade do mesmo”.
 
Vergara diz que passou a ser alvo de críticas desde que foi convidado para assumir a “relevante função” de líder do governo na Câmara. Ele afirma que, no dia da agressão, teria sido “assacado” durante todo o tempo pelo cidadão e que, ao ser chamado por outra cidadã, integrante de uma organização não governamental, para prestar uma informação, novamente “a pessoa em tela” se aproximou e o teria chamado, segundo ele, de “corrupto e ladrão”. “Foi neste momento que o vereador Vergara, já cansado de tantas agressões escritas e verbais, reagiu da forma como reagiu, lamentando profundamente por isso. O vereador Vergara não se considera perfeito. É uma pessoa como outra qualquer”, diz a nota.
 
Ele finaliza o texto dizendo que espera “compreensão” e se desculpando com seus eleitores, vereadores, prefeito Alexandre Ferreira, cidadãos e comunidade francana. Não há referências a Hélio Vissotto. No dia do tapa, Vergara afirmou que não considerava o marceneiro um cidadão e que não se arrependia da agressão. “Ele teve o que mereceu”.
 
Hélio Vissotto nega que tenha chamado o vereador de ladrão e que apenas cobrava Vergara pela postura incoerente: iniciou o mandato na oposição e, depois, se tornou líder de Alexandre Ferreira. A testemunha que estava ao lado da vítima também afirma que o marceneiro aparentava estar nervoso, mas que não ouviu ofensas. 
 
Vergara é alvo de investigação nos Conselhos de Ética da Câmara e do PSB, além de ter a conduta apurada por meio de inquérito policial aberto pela Delegacia Seccional. Na terça-feira, ele pediu que seja decretado sigilo no caso em que é investigado internamente pela Câmara. O pedido ainda não foi analisado.

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