Um grupo de cerca de 250 servidores realizou assembleia, ontem à noite na Câmara, e não aceitou a proposta oferecida pelo Prefeitura durante reunião ocorrida no período da manhã. O motivo do entrave é o valor do cartão alimentação, que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) se recusa a aumentar. Revoltados, os trabalhadores começam a ser organizar para cruzar os braços. Uma nova rodada de negociação será feita hoje. Se não houver avanço, são grandes as chances do estado de greve ser decretado sábado. A categoria promete fazer paralisações silenciosas hoje em seus locais de trabalho em forma de protesto.
Por volta das 9 horas, pelo menos 150 servidores se aglomeram diante da Prefeitura com o objetivo de pressionar o governo a aceitar as reivindicações da categoria. Protestaram com faixas, cartazes e apitos. A rua Frederico Moura permaneceu fechada por duas viaturas da Polícia Militar durante a manifestação. Dentro do Paço Municipal, representantes do governo e dos trabalhadores fizeram uma reunião tensa de mais de duas horas. “Foi uma conversa difícil. Eles não abrem espaço para dialogar e, assim, fica impossível negociar. É tudo não, não e não. Não teremos nem R$ 1 de aumento salarial real”, disse Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores.
A Prefeitura informou que vai conceder apenas a reposição da inflação com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que foi de 7,68% no período. Alegando dificuldades financeiras, disse que não tem como reajustar o valor do vale alimentação.
Os servidores pediram que o cartão alimentação seja de R$ 550 e aceitaram reduzir para R$ 400. Os representantes da Prefeitura firmaram o pé nos atuais R$ 240. “Eles alegam que não têm recurso, que a receita está caindo e que não podem reajustar o valor, mas o vereador Bahia disse na tribuna da Câmara que há mais de R$ 50 milhões no caixa”, disse Nascimento.
A proposta apresentada pela Prefeitura foi discutida com os servidores na assembleia realizada na Câmara. Não houve acordo e os trabalhadores mostraram que estão dispostos a parar como fizeram no ano passado. “O prefeito está pagando para ver o que vai acontecer. Eles estão nos desafiando, mas vamos mostrar que somos mais fortes. Se a gente não parar, a Prefeitura nos engole”, afirmou a servidora Andreia Mara Braguim. “Nós somos a força. Vamos mostrar para o prefeito que vamos negociar com greve”, completou o servidor Luiz Fernando.
A categoria começou a se preparar para a paralisação e saiu da assembleia com a missão de conversar e angariar o apoio dos colegas de trabalho. Antes de qualquer decisão sobre eventual paralisação, uma nova tentativa de acordo com o prefeito será feita hoje, às 10 horas. “Voltaremos a conversar, para ver se a gente consegue aumentar o valor do vale alimentação. Se eles continuarem irredutíveis, faremos outra assembleia sábado, quando consultaremos os trabalhadores se vamos decretar o estado de greve ou não”, afirmou o presidente.
Ficou acertado que não haverá concentração na porta da Prefeitura hoje, mas os servidores foram orientados a fazerem uma manifestação silenciosa em seus locais de trabalho, às 10 horas. “Os trabalhadores vão parar os serviços por meia hora. Estamos sugerindo que sentem no chão em forma de protesto”, concluiu Nascimento.
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