A lógica torta de Rui Falcão


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Desde quando começaram a surgir as denúncias de corrupção no governo petista, ainda sob Luís Inácio Lula da Silva, tornou-se voz corrente no seio do Partido dos Trabalhadores que tudo não passava de invenção da imprensa brasileira. O então presidente tomou gosto pela expressão e tudo de ruim que acontecia no Brasil passou a ser ‘culpa da imprensa’. Veio o mensalão, cabeças coroadas do partido foram julgadas, condenadas e presas e ninguém do PT fez um ‘mea culpa’ ou veio a público admitir o esquema. E assim chegamos a 12 anos de governo petista culpando a imprensa por tudo, pelas denúncias de corrupção e até pelos erros da administração federal, cujo descontrole econômico jogou todo o País em um buraco do qual, sem uma maioria sólida no Congresso, terá grande dificuldade para dar a volta por cima.

Mais uma vez, o presidente nacional do PT, Rui Falcão (que se notabilizou por uma opinião peculiar em torno da vida brasileira e do governo Dilma Rousseff), resolveu se insurgir contra a imprensa, cobrando do governo federal uma retaliação aos órgãos de TV que “apoiaram” e “convocaram” as manifestações contra a presidente em todo o País, no último domingo. Em uma reunião fechada com a bancada petista, Falcão defendeu que o governo deve restringir a veiculação de publicidade nestes veículos de comunicação. Trata-se de uma proposta que remete à truculência dos governos ditatoriais, contrariando frontalmente discursos recentes da própria presidente defendendo a liberdade de expressão em nosso País.

Rui Falcão, um dos que mais se batem pelo “controle econômico da mídia” — nome que o partido dá à censura aos órgãos de imprensa —, o qual tolheria qualquer tentativa de se noticiar algo que não interessa ao governo. É como aconteceu na Argentina, onde a presidente Cristina Kirchner conseguiu amordaçar o Grupo Clarín, crítico do governo, e na Venezuela, onde Nicolás Maduro (e Hugo Chávez, antes dele) controla a imprensa com mãos de ferro, fechando veículos opositores e prendendo os seus responsáveis. Mais ou menos o que Falcão sonha que aconteça no Brasil para calar os críticos da política e da economia erráticas do País. Se até Lula, que garante não ser leitor de jornais e diz que a imprensa deveria ser obrigada a dar apenas notícias boas (para ele e seu partido), vê a censura como saída para a continuidade do projeto de poder petista, Rui Falcão não poderia ficar atrás.

Trata-se de uma lógica torta, ainda mais diante das ponderações (?) do presidente nacional do partido: ele diz que a “quebra” do monopólio deve ser feita por meio de “uma nova política de anúncios para os veículos da grande mídia”. O estranho é que apenas o PT vê monopólio da mídia no País (há grupos antagônicos, brigando pelo mesmo público). Para eles, a existência de apenas um órgão de imprensa (como em Cuba), só noticiando o que interessa aos governantes, seria o ideal para o Brasil. Assim pensam os ditadores, em regimes de direita ou de esquerda, onde a liberdade de imprensa é a maior ameaça aos que querem mandar sem oposição e sem contestação. Com certeza, a maioria dos brasileiros não defende esta posição.

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