Contra a corrente


| Tempo de leitura: 2 min
Qualquer eleitor cobra, nas últimas décadas, maior transparência de seus representantes legislativos, estejam eles no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas ou nas Câmaras Municipais. O brasileiro não aceita mais ser tangido como gado, como se não tivesse qualquer importância a não ser atingir o peso necessário para se dirigir ao matadouro. A grande prova foi a manifestação de mais de dois milhões de brasileiros, em centenas de cidades brasileiras, no último domingo, protestando principalmente contra a corrupção, cobrando uma reforma política capaz de pelo menos reduzir a verdadeira gatunagem da qual são vítimas os cofres públicos. 
 
Neste contexto, a Câmara Municipal de Franca (que mereceu uma tarja de luto na edição de ontem do Comércio) nada contra a corrente ao tentar blindar os integrantes do Conselho de Ética que, em tese, deveriam julgar (e afastar) o vereador Luiz Vergara (PSB), que desferiu um tapa na cara do marceneiro Hélio Vissoto, dentro do plenário, em um episódio que teve repercussão até fora do País. Acima de tudo, foi motivo de vergonha para os francanos, ainda mais diante do desinteresse dos vereadores em punir quem falta com o decoro parlamentar, utilizando a violência diante da falta de argumentos para replicar os questionamentos de um cidadão.
 
Assim, na segunda-feira, quando as manifestações de domingo ainda repercutiam — tendo obrigado a presidente Dilma Rousseff (PT) até a conceder uma entrevista coletiva para tentar amenizar a sua situação —, o Conselho de Ética proibiu a imprensa de acompanhar o processo que apura a falta de decoro do vereador Vergara. Desta forma, o Conselho (que tende a engavetar mais um processo de suma gravidade) impede que a opinião pública tome conhecimento do que será discutido a portas fechadas — numa atitude bastante peculiar, acompanhando o que se faz no Paço Municipal. Dos três integrantes do Conselho, dois deles já deixaram claro que pretendem transformar tudo em pizza: Jépy Pereira (PSDB) e Donizete da Farmácia (PSDB).
 
Não há justificativa plausível para esta decisão, a não ser a intenção de manter tudo na surdina. Alguns vereadores já tentam vitimizar o agressor, culpando Hélio Vissoto pelo tapa na cara. É o mesmo que culpar a vítima pelo estupro, por estar usando roupas “provocantes”. É uma atitude que não pode ser tolerada, principalmente partindo daqueles que foram eleitos — e ganham — para atuar em defesa do eleitor e da cidade. Percebe-se que o corporativismo reinante no Legislativo municipal supera os interesses da coletividade francana. Poucas vozes dissonantes permitem que a maioria, alinhada com o que há de mais abjeto na política, se porte como se fosse absolutamente comum manter em primeiro plano o bem estar pessoal. Mas eles podem ter uma certeza: daqui a pouco menos de dois anos o eleitor francano saberá reconhecer o desvalor de seus legisladores, deixando-lhes, nas urnas, um recado que se espera inesquecível.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários