Os vereadores Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PSDB) pediram, ontem, que os trabalhos do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar fossem suspensos até que seja julgado o recurso para que o plenário, como instância maior, decida sobre o afastamento de Donizete da Farmácia (PSDB) da comissão que julga a agressão cometida por Luiz Vergara (PSB) contra um cidadão. O pedido foi negado pelo plenário sob a alegação de que atrasaria a apuração do caso. Vergara votou contra a suspensão. Só que pouco antes, ele havia protocolado documento solicitando que seu depoimento para explicar o tapa que deu na cara do marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto, marcado para hoje à tarde, seja remarcado para outro dia. Vergara também quer que seja decretado sigilo no caso em que é investigado.
O ofício pedindo que seu depoimento seja adiado foi protocolado às 15h28. O vereador alega que seu advogado, Denílson Carvalho, terá que comparecer a outra audiência, no Fórum. “Diante da impossibilidade de comparecimento deste patrono a ambas, requer a redesignação desta oitiva”, escreveu. Três minutos depois, Vergara ingressou com novo pedido no setor de protocolo da Câmara, desta vez, para que apenas “os servidores designados e os interessados e legitimados pelo nobre presidente” possam ter acesso às apurações feitas contra ele pelo Conselho de Ética. A medida, segundo ele, é para preservar e garantir os trabalhos da comissão “considerando o interesse público”.
O presidente do Conselho, Pastor Otávio (PTB), disse que vai encaminhar o pedido de decretação do sigilo para apreciação dos outros dois membros do grupo, Jépy Pereira e Donizete da Farmácia. Ele não acredita que o pleito de Vergara seja atendido. “Não cabe a mim sozinho tomar uma decisão, mas acho que não tem mais como acatar este pedido de sigilo. O fato repercutiu no Brasil inteiro. Não há interesse em esconder nada. A imprensa terá plena liberdade em acompanhar o nosso trabalho”, garantiu.
Pastor Otávio acredita que os pedidos de sigilo e de adiamento do depoimento sejam estratégias da defesa de Vergara no sentido de ganhar tempo. “Acredito que sim, até porque, tenho dito que pretendo concluir as apurações dentro do prazo inicialmente previsto de 30 dias. A ausência do vereador vai provocar atraso nos trabalhos”, afirmou. Ele disse que, se o vereador aparecer na reunião de hoje, não será mais ouvido. “Fui orientado pelo nosso jurídico para ouvi-lo apenas na presença do advogado”, acrescentou.
‘Eles erraram’
O presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS), disse que não concorda com o posicionamento do Conselho de Ética que, na segunda-feira, proibiu jornalistas de acompanharem os trabalhos. “Foi uma bobeira deles. Eles erraram. Quando você faz as coisas às portas fechadas, dá a impressão de que está querendo colocar panos quentes. As apurações devem ser claras. As portas têm que estar abertas para garantir a transparência.”
Hélio Vissotto, o cidadão agredido, acompanhou parte da sessão e disse ao Comércio que aceitou o convite e que prestará esclarecimentos ao Conselho de Ética amanhã.
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