Professores estaduais cruzam os braços e escolas improvisam


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Na Escola Estadual ‘Orlik Luz’, localizada no bairro City Petrópolis, as aulas foram garantidas com a ajuda de professores substitutos
Na Escola Estadual ‘Orlik Luz’, localizada no bairro City Petrópolis, as aulas foram garantidas com a ajuda de professores substitutos
Os professores de ao menos 11 escolas estaduais de Franca, dentre as 58 existentes, e uma de São José da Bela Vista aderiram à greve da categoria que teve início na última segunda-feira, 16. Para não deixar os alunos sem aulas, as instituições de ensino optaram por improvisar: algumas turmas foram colocadas na mesma sala e professores substitutos foram chamados.
 
Foram exatamente esses os recursos adotados pela escola “Orlik Luz”, localizada no bairro City Petrópolis. A instituição possui oito salas de aula, da 6ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, mas ontem apenas três professores titulares foram ao trabalho. Outros três professores substitutos foram chamados para atender os estudantes e algumas salas foram unidas. Segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), ao longo do dia, a adesão à greve na escola chegou a 100%.
 
A dona de casa Izilda Aparecida Barbosa, 52, não deixou de levar a neta de 11 anos, que cursa a 6ª série do fundamental, à “Orlik Luz” ontem. Ela até aprova a greve, mas teme que a neta tenha os estudos prejudicados. “A gente não acha bom, pois pensa no prejuízo para os alunos. Mas os professores realmente ganham muito mal, então eles têm mesmo que fazer greve”, disse.
 
Na escola “Agostinho de Lima Vilhena”, localizada no Jardim Noêmia, e que também oferece do 6º ano do fundamental ao 3º do ensino médio, não houve aula no período da manhã ontem. Segundo a mãe de um aluno, os grevistas pressionaram para que os demais professores da “Agostinho” não entrassem em sala de aula. 
 
Os estudantes que foram à escola pela manhã acabaram dispensados. “Quando fui levar minha filha na escola, senti que havia uma pressão dos grevistas para que os outros não subissem para as salas. Logo depois de eu deixar ela lá, me ligaram para buscar. Mas falaram que amanhã (hoje), teria aula normalmente”, disse a mãe, que pediu para não ter o nome divulgado. 
 
De acordo com um funcionário da escola “Agostinho de Lima Vilhena”, as aulas na instituição de ensino voltaram à normalidade no período da tarde, com a ajuda de professores substitutos.
 
“A contratação de substitutos para ocuparem o lugar de grevistas é ilegal. Mas o governo não respeita lei nenhuma. O direito de greve é garantido por lei”, disse o vice-coordenador da subsede de Franca da Apeoesp, Edivaldo Máximo.
 
Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação “orienta que todos os estudantes da rede estadual compareçam normalmente às escolas”, pois “as ausências pontuais são substituídas pelo quadro de professores eventuais”.
 
Reivindicações
Os professores estaduais decidiram cruzar os braços durante assembleia realizada na última sexta-feira, 13, em São Paulo. A categoria reivindica aumento salarial de 75,33%, conversão do bônus em reajuste salarial, aumento do vale alimentação e do vale transporte, garantia de direitos para professores temporários e convocação dos aprovados nos concursos.
 
Os professores pedem ainda melhorias no ensino, como desmembramento de salas superlotadas, número limite de 25 alunos por sala, melhor infraestrutura para as escolas, fim do corte de verba para as escolas e aumento de repasse, continuidade da gratuidade do transporte público para estudantes, dentre outros pedidos. “O governo não ofereceu nenhuma contraproposta ainda, nada”, disse Máximo.
 
 
 

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